Mostrando postagens com marcador algumas dores deste mundo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador algumas dores deste mundo. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de março de 2013

O dia em muito me emocionei


Acho que guardarei lembranças dela pra sempre. O nome dela era Clo Orozco, mas todos a chamavam de Clo mesmo.

De imediato, ela nos cegava com sua beleza elegante. Claro, ela ja estava cansada de lhe acharem parecida com Isabela Rosselini. Mas passado o efeito da beleza, Clo seduzia pela sua cultura, pelas suas conversas, pelas suas idéias à frente de qualquer tempo. Por causa do trabalho no SPFW, tive a chance de cruzar com ela algumas vezes em reunioes de trabalho e outras tantas vezes eu mesma provoquei esse encontro. Porque estar ao lado dela era inspirador.

Nao perdia um desfile das suas marcas, mas sempre tive uma predileçao pela Huis Clos. E no final do desfile ia sempre ao seu backstage e esperava o momento de parabeniza-la. Lembro que eu adorava esse momento da espera, porque gostava de ve-la feliz no seu ambiente. Prestava atençao na delicadeza dela com a sua equipe de trabalho, com o olhar cheio de realizaçao pelo trabalho conquistado, pelo brinde com os amigos/familia. E la ia eu, orgulhosa dessa mulher, provocar mais um desses encontro e dizer : « Obrigada Clo pelo show de beleza e elegancia ». Ela sempre perguntava : « Voce gostou mesmo ? » Com aquela simplicidade dos gigantes. Trocavamos algumas conversas mais e eu dava meu lugar à uma pequena centena de pessoas que gostaria também de agradece-la por esse momento.

Suas roupas pareciam me entender melhor do que qualquer terapeuta. Era um pouco daquela coisa que no cabide nao sei se vai rolar, mas quando a gente veste…ahhhhh quando a gente veste. Por conta do trabalho, certa vez fechei um contrato importante e ganhei de presente de Natal da empresa uma soma importante para gastar em qualquer loja de roupas onde eu gostaria. Diante da pergunta da minha chefe de qual loja eu gostaria que ela enviasse o cheque, respondi sem a menor hesitaçao, na Huis Clos, claro ! Porque diante de uma soma grande onde jamais na vida gastaria com roupas, o ideal é que fosse em algo de muita qualidade.

Fui na mesma tarde para uma das boutiques na Rua Mario Ferraz, que ficava bem proxima do trabalho, passei um  dia de princesa. Chegando na loja lembro de me sentir receosa de perguntar se a vendedora ja havia recebido um cheque etc e tal…aquela situaçao que pode ser constrangedora. Mas se tratando da Huis Clos, a elegancia ja estava no DNA da marca e mesmo na abordagem das vendedoras. A gerente se aproxima, pergunta meu nome, me leva para um reino encantado de peças que acabaram de sair do desfile e que nao foram todas comercializadas e  me pergunta se eu procuro algo em especifico. Eu digo que nao, que procura apenas peças lindas, ela sabia que eu estava no lugar certo.

Quando ja havia experimentado e amado umas 15 peças, ela chega discretamente no provador e me fala. Candice, esta tudo certo seu caso sei do que se trata, pode ficar tranquila. Elegancia e sofisticaçao ja sabia, mas discriçao a esse ponto me surpreendeu. Durante essa visita, havia adorado uma sandalia preta em daim toda trabalhada, mas infelizmente nao havia minha numeraçao na loja. Dois dias depois recebi a sandalia em casa, de presente da marca, com um cartao junto agradecendo a visita.

 Esse foi o meu primeiro contato com a Huis Clos, depois virei cliente às minhas custas. Todo aniversario meu, momento especial quando soube que estava gravida das minhas filhas, festas importantes e etc ia na loja e me dava um presente, porque na Huis Clos as roupas parecem ser eternas. E sao.

Com a noticia da morte da Clo Orozco passei a semana refletindo. Sobre o valor da vida, sobre a morte, sobre a moda, sobre a beleza, sobre quase tudo. E de tudo, apenas uma certeza, infelicidade de mundo, estamos todos fechados num Huis Clos. Fique em paz.

 

 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Nota de repúdio e de tristeza

É fato que, já há algum tempo, após lutas hercúleas, nosso Estado tornou-se laico e passou a ser garantida a liberdade religiosa, a liberdade de crença. Isso é indubitável e talvez, até certo ponto, profícuo. Não figura, inobstante, como princípio de nossa Constituição, deste país, desta Nação, a imoralidade e o desrespeito, mas não é esta a realidade que vivenciamos.

Fui hoje novamente participar do novenário de Nossa Senhora do Carmo, na Igreja com o nome da Santa, no Centro da cidade, ao lado do Palácio do Bispo, novenário este que é uma tradição de mais de 760 anos no mundo e que, aqui em João Pessoa, fez 305 anos agora, em 2011.

Pois bem! Na data de hoje, na mesma hora, na praça da Igreja, em frente ao Palácio Episcopal, jovens e adultos, no mínimo, imorais, “organizaram” uma Rave, debaixo de umas tendas, ao som de músicas repugnantes e com a presença danças baixas, ambas dotadas da pior qualidade de promiscuidade.

Idosos, freiras, frades, padres, fiéis, devotos, crianças, cristãos, enfim, não conseguindo celebrar dignamente uma tradição de séculos, graças ao desrespeito afrontador e debochado de um bando de arruaceiros. Os ruídos e as batidas a toda hora atrapalhavam a solenidade e, ao sair da Igreja, ao fim da celebração, nós nos deparamos com um cenário de causar ojeriza a qualquer homem e a qualquer mulher dotados da menor integridade, respeito e moral.

“Tô com o cu pegando fogo, tô com o cu pegando fogo, to com o cu pegando fogo!” foi o refrão que, ao sair da Igreja, tivemos de ouvir em alto volume na voz de centenas de pessoas e em potentes caixas de som, ao mesmo tempo em que víamos homens e mulheres “dançando” de maneira despundonorosa, desrespeitosa, propícia a prostíbulos e ambientes do gênero, e, não, a uma praça pública, em frente a instituições religiosas! É inacreditável, revoltante!

Sou a favor da liberdade religiosa e da laicidade do Estado, mas, antes de tudo, sou um aguerrido defensor do RESPEITO! E o que aconteceu hoje, na Praça do Carmo, foi uma grandessíssima demonstração de profundo DESRESPEITO, acobertada pelo Poder Público, que fez vista grossa a uma porcalhada dessas!

Meu Deus, eu fico me perguntando: “A que ponto a humanidade vai chegar?”, “ Qual o futuro desta gente perdida, destes jovens desvirtuados?”, “Como podem as autoridades permitir esses absurdos?”, “Cadê o respeito e a moral, pelo amor de Deus?”

Está perto o tempo, meus irmãos, em que ser cristão será errado, em que Deus será visto como um palhaço, em que a Promiscuidade e o Desrespeito serão os ditames precípuos das Nações e em que todos os valores que um dia foram admirados e almejados sucumbirão em detrimento ao oposto do que apregoam...E neste tempo, quando a humanidade estiver totalmente perdida, há de chegar o Dia em que será feita a Justiça...Vigiai, minha gente, vigiai...E orai!

Não como cristão, não como católico, mas como homem e como cidadão, eu registro aqui minha revolta, minha tristeza e minha indignação com a irreverência, com o audacioso ataque à dignidade de fiéis e homens de bem e com a despiciente afronta à seriedade de uma instituição milenar!

“Tô com o cu pegando fogo...Venha apagar teu fogo na mangueira do negão”? Por fim, eu lhes pergunto: isso é música? Isso é humano? Isso é coisa de gente digna? Isso é coisa de gente respeitável? Não! Acertadamente eu respondo: isso é coisa de cafajeste, de bandido, de arruaceiro, de tolos, de iníquos e promíscuos!

Mas é essa, minha gente, a realidade! É a realidade para qual está caminhando a humanidade a passos largos, passando por cima de tudo, pisando todos!

.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Minha homenagem derradeira

Eu transcrevo, literalmente, sem ajustes - porque foi um texto discursado -, a homenagem última que prestei ao meu bisavô em sua Missa de Sétimo Dia.

"Boa noite a todos!

É com muita honra e com muito saudosismo que venho prestar esta derradeira homenagem ao meu querido bisavô Severino Xavier Pimentel. Tenho a felicidade de ter-lhe feito uma homenagem em vida, com palavras semelhantes às que vou proferir, olhando nos olhos serenos do meu bivô e lhe dando um abraço apertado de um bisneto admirador, logo esta homenagem póstuma é mais como um registro do meu amor, carinho e respeito à memória deste Severino.

Vovô “Sivirino”, como eu o chamava, assim mesmo, trocando os "Es" pelos "Is", “SI”-“VI”-rino, era, como todo bom sertanejo que se preze, e agora eu furto as palavras de Euclides da Cunha, antes de tudo, um forte. Meu bisavô era aquele a quem se podia chamar de HOMEM DE BEM, uma espécie bem rara nos dias de hoje, um exemplo de integridade, carinho, temência e luta que deve, em que pese a morte do homem, viver eternamente nos corações das gerações vindouras!

Eu estufo o peito, bato com o punho fechado numa mesa como ele fazia, e proclamo, com um bom orgulho, que sou bisneto de Severino Xavier Pimentel, um cristão perseverante, batalhador, trabalhador, que galgou os degraus da vida e, labutando junto à minha amada bisavó Lizete, formou uma família bela, ao mesmo tempo em que construiu uma das maiores indústrias têxteis do país, que foi a MOAR, grande orgulho da vida dele.

Vovô Sivirino era um visionário que não só vislumbrava maravilhas, mas as punha todas em prática...Eu me lembro como se fosse ontem: eu tinha perdido uma aula de Zarinha e fui esperar meu pai lá na lavanderia junto com vovô, aí foi conversa que não se acabava...Ele, sempre com ar entusiasmado, me contava como foi a construção da casa na Av. Amazonas, desenhando, com um lápis que ele gostava muito, parecido com este, como ele queria as famosas portas elétricas que subiam para o teto, dizendo como ele era teimoso com os engenheiros e insistente no que ele queria...E assim ele era em tudo quanto fazia: obstinado, cheio de fé. E é esse exemplo que fica: o da perseverança na construção de nossa vida e de nossos sonhos, o exemplo da determinação e da certeza de que nada é impossível quando há vontade, trabalho árduo e fé em Deus.

Se me pedissem para definir vovô Sivirino em uma só palavra, se me pedissem para dizer aquela única palavra que me remonta ao meu estimado bivô, esta palavra seria LUTA, e só ela bastaria para representar a grandiosidade e a nobreza do caráter do meu bisavô. Vovô, e agora eu me recordo do poema do pernambucano João Cabral de Melo Neto, teve o que se pode chamar de “Morte e Vida Severina”, título da obra deste grande autor: vovô nasceu num contexto difícil, de luta, cresceu lutando, lutou para crescer e morreu lutando. Poucos, minha gente, são os homens como o meu bisavô! É uma honra e uma felicidade sem igual para cada um de nós poder dizer: “Eu sou filho de Severino Pimentel”, “Eu sou neto de Severino Pimentel”, “Eu sou bisneto de Severino Pimentel”, “Eu sou sobrinho, primo, irmão, ESPOSA de Severino Xavier Pimentel”! Mas que não fiquemos no dizer! Tentemos sempre nos assemelhar a ele em tudo quanto ele era!

Para finalizar esta pequena homenagem ao meu GRANDE bisavô, eu vou fazer uso das palavras de um personagem de desenho animado chamado Zé Colméia, num filme a que eu assisti com meu irmãozinho João Vítor e que me chamou muito a atenção, porque eu me lembrei muito de vovô Sivirino. Ela diz mais ou menos assim: “Catatau, a gente só fracassa quando a gente para de tentar!” E meu bisavô é um homem que nunca parou de tentar e que por isso, é um vitorioso. E eu uso o verbo no presente, “É”, porque eu tenho em meu coração a certeza indubitável de que ele deixou a vida, mas venceu a morte e tem morada hoje na casa do Pai, ao lado de sua amada Virgem Maria, olhando e intercedendo por todos nós!

'...E não há melhor resposta

que o espetáculo da vida:

vê-la desfiar seu fio,

que também se chama vida,

ver a fábrica que ela mesma,

teimosamente, se fabrica,

vê-la brotar como há pouco

em nova vida explodida;

mesmo quando é assim pequena

a explosão, como a ocorrida;

mesmo quando é uma explosão

como a de há pouco, franzina;

mesmo quando é a explosão

de uma vida severina.' (Morte e Vida Severina)



Obrigado!"

terça-feira, 7 de junho de 2011

Eu e o prato...Vida de Gordo

Passei hoje por uma situação delicada, tensa, mas sobrevivi. O fato é que, apesar de eu estar emagrecendo, ainda existem dois gordos loucos em mim, um dentro do meu cérebro e outro no meu estômago. Aconteceu lá por volta do meio-dia, na horinha em que minha barriga começa a fazer rói-rói, a ponto de dialogar com qualquer pessoa que esteja ao lado (barulhos constrangedores e bem sonoros ela emite). Estava eu tranquilo, esperando o elevador para ir pegar meus irmãos no colégio. Eu moro do 10º andar, o elevador é velho e lento e, frise-se, era hora do almoço. Chega o elevador, e eu ainda calmo, relax. Mas advinhem quem está no elevador?? Um baixinho, redondinho e cheirando a comida: o prato do porteiro do prédio que o pessoal do 12º sempre manda! AH...mas me deu taquicardia imediatamente, e a fera que habita na minha barriga inquietou-se como nunca: eu e o prato de comida, “face to face”, “tetê-à-tête”, aquele morrendo de fome, e este gritando: "Olhe como estou cheiroso, é purê, carne moída, arroz e feijão...me come, me come”. Desespero total, tensão, nervosismo. Não bastasse o elevador ser lento, ainda parou num andar, e ninguém entrou, delongando aquela tensão por mais alguns segundos. E a boca salivando, o suor resvalando na testa, o coração acelerado e a barriga já não fazia mais rói-róis, mas estrondosos “RONCS!”. Fiquei encarando o prato de cima, com olhos semi-cerrados, com ódio de quem o colocou ali! Então, eu não me aguentei: me baixei, levantei o papel alumínio que o envolvia, para ver bem o que era, e era de fato o arroz, feijão, purê e carne moída, meu prato preferido! Fechei os olhos e senti o aroma do prato. Suspirei profundamente, a cabeça até pendeu pra trás de desejo, pensando em furtar aquele prato do pobre porteiro, então tomei o prato pelas mãos! Foi o tempo de o elevador chegar no “P” e abrirem a porta avidamente. Era o porteiro (a propósito, um mago-de-ruim, que come feito um boi e não engorda – detesto esse tipo). Minha cara deve ter sido de enterro, de bunda, de uma tristeza sem igual. Suspirei mais uma vez e pronta, mas letargicamente, entreguei o prato nas mãos do futuro comensal: “Tirei do chão, pra não sujar o prato e ninguém pisar!”. Fui pegar meus irmãos e me contentei com o meu shake. Oh! Cruel vida de gordo! Amanhã eu deixo o prato no chão e piso!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Uma tragédia brasileira




Só ontem à noite, assistindo ao Jornal Nacional é que fiquei a par da tragédia ocorrida na escola no Rio de Janeiro. Que tristeza, que brutalidade, que covardia, que violência gratuita !! Chorei vendo a reportagem, chorei pela falta de amor no coração daquele atirador, pela dor de tantos pais e pela esperança e fé de certas crianças na hora do desespero. Já tínhamos conhecimento de vários episódios como esse, principalmente nos Estados Unidos, mas a verdade é que quando acontece mais perto de nós, realmente enxergamos o tamanho da atrocidade. O mais triste é saber que pode acontecer em qualquer lugar, na escola dos meus filhos, na escola vizinha, seja ela pública ou particular, não há como evitar a maldade humana...

Deus permita que, como aconteceu nos EUA, depois de Columbine, não comece aqui uma verdadeira competição de horrores,  com outros jovens repetindo o massacre em suas escolas, esmerando-se para ver se um supera o outro na quantidade de vítimas e nos requintes de crueldade. Pensando em tudo isso, cheguei à conclusão de que todos os atiradores tem sempre uma característica em comum : são pessoas estranhas. Em geral  bastante introspectivos, alguns tinham vários amigos, outros eram agressivos, uns pareciam pessoas dóceis, mas sempre, sempre há relatos de pessoas de convívio próximo que confirmam a sua estranheza. Por isso, devemos ensinar aos nossos filhos manter distãncia de tudo aquilo que parecer ou soar estranho. Pessoas estranhas, conversas estranhas, convites estranhos... pois tudo aquilo que é certo e que é bom, é muito simples e muito claro; o amor, a verdade e a justiça.

terça-feira, 29 de março de 2011

Grande homem

Deixo aqui um registro da minha admiração por este homem que, como poucos, teve uma postura muito digna e franca em relação à morte. Que soube lutar e agradecer a Deus por cada momento a mais que lhe foi concedido.




"Não posso me queixar, mas tenho de fazer a minha parte. Estou lutando para não morrer e estamos vencendo com a força de Deus. E seja qual for o resultado, será uma vitória nossa."

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A morte chega cedo - Fernando Pessoa



A morte chega cedo,
Pois breve é toda vida
O instante é o arremedo
De uma coisa perdida.

O amor foi começado,
O ideal não acabou,
E quem tenha alcançado
Não sabe o que alcançou.

E tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto.


                      ************************************************************
Lella,

assim como dividimos tantos momentos de alegria, temos inevitavelmente, pelos laços de amor e amizade que nos une, que compartilhar os de tristeza e dor. E tantos outros virão, de mais felicidades e outras dores...
Que Deus traga a toda sua família conforto e proteção e que você sinta o nosso abraço, apertado e carinhoso.

sábado, 10 de julho de 2010

Então, é isso a vida.

Hoje "vovô Severino" esteve aqui em casa, veio com seu motorista e enfermeira, não podia descer do carro, mas pediu que os meninos fossem lá fora para lhe dar um beijo e um abraço, veio comprovar com seus próprios olhos como os bisnetos cresceram; observou-os cuidadosamente, decifrou os três, um a um. Passou também no prédio de Crispim ainda em construção, para sentir mais um tiquinho de orgulho. Eu e Crispim não sabíamos que ele viria, sequer estávamos em casa na hora.
E eu fiquei profundamente emocionada com a visita deste lindo senhor com seus oitenta e tantos anos, cheio de inteligência e sensibilidade, inconformado por não poder estar trabalhando, acometido por uma fibrose pulmonar avançada que o impede de fazer pequenos esforços e que o torna dependente de um cilindro de oxigênio. Ele experimenta a tristeza e a impaciência, sente seu caminho estreitar-se, mas consegue ainda sorrir e se encantar com o horizonte que, no fundo, sabe que para sempre vai  poder vislumbrar.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Cidade Maravilhosa? Continuará lindo o Rio de Janeiro?

Acabo de assistir ao Jornal das 10 na Globo News, logo depois de ter assistido ao Jornal Nacional, mesmo tendo assistido ao Jornal Hoje, à tarde. E, para variar, os grandes jornais do país trazem-nos a trágica notícia de uma enchente que deixou afogada a cidade do Rio de Janeiro.
Famílias inteiras mortas, pais que não puderam salvar os filhos, filhos que não puderam salvar os pais, casas inteiras perdidas, mais de 1400 pessoas desabrigadas, enfim o retrato de uma catástrofe de partir os corações e roubar lágrimas de quem fica sabendo e de quem vivencia a absurda situação que relato.
E, claro, como tudo de ruim que há neste Brasil, isso tem, como autor ( e você já deve ter inferido), os nossos queridos políticos! OOOHHH (que novidade)!! Não podemos culpar a Natureza, jamais! As chuvas são normais e esperadas nessa época, no Rio de Janeiro. Porém, que se faz para preparar a cidade para fenômenos como a enxurrada que há 36 horas vitimiza a cidade? Eis o que se faz: são permitidas construções irregulares, destrói-se a vegetação dos morros, vegetação essa que evita a erosão do solo; urbanizam-se favelas, em vez de removê-las a um lugar de menos riscos; é feita uma sorte de malfeitos, afinal.
Mas...por que e para que, se existe a consciência de todos os riscos e de todas as conseqüências danosas de tais ações? Simples: o egoísmo de cada autoridade que está à frente de nossa cidade, de nosso estado, de nosso país sobrepuja as necessidades essenciais à população!
No ano de eleição, o candidato, que “não é besta nem nada”, vai logo atrás de fazer um puxadinho aqui, um acolá: vai construindo à torto e à direito, atabalhoadamente, sem quaisquer projetos, fazendo obra pra inglês ver e pra nele o povo votar. E isso é um ciclo vicioso e trágico, que resulta em horrores como o de que o Rio de Janeiro está sendo palco. Acontece a catástrofe, e quem nossos bondosos politiquinhos culpam? “Mainha” Natureza, é claro!
Mãe Natureza é o c*, Mãe Natureza p* nenhuma! Os culpados, aliás os assassinos responsáveis pelas mortes de mais de 100 pessoas, são os péssimos, atrozes, egoístas, hediondos políticos que escolhemos para estarem chefiando nossa população, nosso país!
É preciso que façam, deveras, pela população. É preciso que tomem medidas que abranjam o conjunto e, não, medidas em áreas isoladas; é preciso que se façam projetos em concordância com o todo e não com uma parte da cidade, resultando em obras desorganizadas, atabalhoadas; é preciso, mormente, sensibilidade por parte desses que dizem estar por nós e querer nosso bem-estar, já que, enquanto estão aconchegados em suas camas assistindo a noticiários como os de hoje, há quem esteja abandonado, sem casa, com frio, com fome.
É necessário que saibamos quem escolher para governar e que exijamos o mínimo de decência de quem governa. É mister que aflore o altruísmo no ser humano, em detrimento do egoísmo, o amor, em detrimento da raiva, da ganância e do ódio.
Eu chorei, me emocionei muito assistindo à reportagem do Jornal das 10, ouvindo depoimento de quem sofreu perdas de entes amados e de bens, como a própria casa; vendo o estrago material e psicológico resultante de tamanho caos. E vim aqui dividir minha dor com vocês e pedir que cada um que venha a ler esse texto diga uma prece, pedindo para Deus olhar os desamparados e mitigar o egoísmo humano, real culpado de nossa desgraça.
Rio de Janeiro? Cidade Horrososa, cheia de desencantos mil, ânus do meu Brasil.

Carlos Eduardo Gadelha

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

SeaWorld cancela shows com orcas após ataque que matou treinadora
Publicidade
da Folha Online

O SeaWorld anunciou ontem que suspendeu os shows com orcas nos parques das cidades de Orlando e San Diego, nos Estados Unidos, depois de o primeiro ter sido palco de um ataque de um animal a uma treinadora. Dawn Brancheau, 40, que trabalhava no parque desde 1994, morreu na hora, conforme fontes policiais. As autoridades responsáveis pela investigação do caso não sabem dizer se a treinadora caiu no tanque ou foi arrastada a ele pela orca.

De acordo com o SeaWorld, as atrações com orcas ao vivo foram suspensas para que todos os procedimentos sejam reavaliados. Essa suspensão foi aplicada também ao parque de San Diego que já tinha fechado mais cedo ontem, em solidariedade. O terceiro parque da cadeia, de San Antonio, o Texas, fica fechado nesta época do ano. Nos outros parques, as atrações com golfinhos e leões marinhos, além de montanhas-russas, abriram normalmente (25).
O ataque aconteceu na tarde de ontem(24), pouco após as três sessões de uma atração chamada "Dine with Shamu" (Jantando com a Shamu) que consiste em realizar truques perto de um local no qual o público pode comer.
Segundo o jornal "Orlando Sentinel", um diretor do SeaWorld, Chuck Tompkins, já confirmou a versão de algumas testemunhas de que Brancheau foi mordida pela maior orca do parque, chamada Tilikum, e arrastada para dentro do tanque. "Estamos em fase de investigar todas as pessoas e os animais", disse Tompkins.
Um turista brasileiro identificado como João Lúcio de Costa Sobrinho, 28, contou ao mesmo jornal que tirava fotos do interior do tanque ao lado da namorada, Talita Oliveira, 20, quando percebeu que uma das orcas levava uma pessoa na boca. "Foi terrível. Foi difícil ver a cena", disse o brasileiro. Conforme o casal, no momento do ataque, Brancheau estava sangrando na área do rosto, e a orca a girava enquanto nadava.
Os brasileiros e "várias" outras testemunhas, ainda conforme o "Orlando Sentinel", disseram que os animais não se comportaram normalmente no show que havia sido realizado algumas horas antes. Brad Sultan, da cidade de Tampa, também na Flórida, disse que uma das orcas não completou uma formação em triângulo com os treinadores e que, depois, uma delas não completou uma volta no tanque conforme o previsto.
Outras testemunhas ouvidas pelo "Orlando Sentinel" que estavam em um restaurante perto dos tanques das orcas afirmaram que a treinadora foi arrastada para a água por uma orca, enquanto a acariciava. Minutos depois, um alarme soou e seguranças isolaram a área.
Conforme o porta-voz da polícia Jim Solomons, a treinadora estava morta quando o resgate chegou.

Tillikum
Conforme o mesmo "Orlando Sentinel", a orca envolvida, chamada Tillikum --que significa "amigo" na língua dos índios chinook--, já esteve envolvida em outros episódios controversos. Em 1991, ela foi responsabilizada pelo afogamento de um treinador durante um show em um parque no Canadá. Vendida ao SeaWorld no ano seguinte, a orca se envolveu em um outro incidente em 1999, quando um homem nu foi encontrado morto em seu tanque.
Um ex-funcionário do parque disse ao "Orlando Sentinel" que Tillikum é, geralmente, mantida isolada das outras orcas do parque e que os treinadores não têm autorização para entrar na água com ela devido a seu histórico.
O parque SeaWorld pertence ao grupo Blackstone, dono também de parte de outro parque da cidade, o Universal.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Haiti x Labadee - à discussão

De um lado do Haiti, o desespero, e do outro, luxuosos cruzeiros
Publicada em 18/01/2010 às 14h46mO Globo

RIO - A menos de 100 quilômetros da área devastada pelo terremoto no Haiti, cruzeiros luxuosos atracam em praias particulares onde passageiros aproveitam variados coquetéis, e passeios de Jetski, parasail, entre outras atividades. Mesmo com a tragédia, que pode ter deixado 200 mil mortos, a rotina dos transatlânticos não foi alterada. O gigante Independence of the Seas, da Royal Caribbean International, desembarcou na sexta-feira no resort Labadee, refúgio que conta com forte esquema de segurança, ao norte da costa haitiana. Já o Navigator of the Seas, que conta com 3.100 passageiros, está marcado para chegar à região nos próximos dias, informou o jornal "Guardian".
A empresa americana aluga a paradisíaca ilha do governo haitiano para passageiros que querem relaxar com esportes aquáticos, churrascos, e fazer compras de souvenires em pequenas lojas no local durante o dia. A segurança é garantida por homens armados na entrada.
A decisão de manter a programação causou polêmica. Os navios levam ajuda com alimentos e a empresa afirmou que vai doar todos os lucros da viagem aos haitianos. Mas muitos passageiros permaneceram a bordo quando o navio atracou.
"Não consigo me ver pegando sol em uma praia, nadando, comendo churrasco, e aproveitando um coquetel, enquanto em Porto Príncipe há dezenas de milhares de corpos sendo empilhados nas ruas, com sobreviventes desesperados procurando por comida e água", disse um passageiro em um fórum de discussão na internet.
"Já foi difícil o suficiente sentar e comer um lanche em Labadee antes do terremoto, sabendo quantos haitianos passavam fome", afirmou outro internauta. "Não me imagino comendo um hambúrguer lá neste momento".
Alguns passageiros de navios programados para atracar na ilha temem que pessoas desesperadas invadam o resort para conseguir comida e água, mas outros parecem estar determinados em aproveitar as férias. "Estarei lá na terça-feira e planejo aproveitar a minha excursão e o meu passeio", disse uma pessoa.
"No fim, Labadee é fundamental para a recuperação do Haiti. Centenas de pessoas dependem de Labadee para sobreviver", disse John-Weis, vice-presidente da companhia. "Em nossa convera com o enviado especial da ONU ao Haiti, Leslie Voltaire, foi dito que o país iria se beneficiar com os lucros gerados em cada passeio. Também temos oportunidades tremendas de usar os navios para transportar suprimentos. Simplificando, não podemos abandonar o Haiti no momento em que mais precisam de nós".

Confesso que ainda não havia pensado sobre essa situação paradoxal lá no Haiti. Porém, acredito que a suspensão da parada e consequentemente do aluguel de Labadee sejam mais prejudiciais ao povo haitiano nesse momento, ante a interrupção da fonte de renda que (espero) seja revertida em favor dos desabrigados.
Aberto à discussão (acho que já sei qual será a opinião de Biba !!)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Tristeza X Alegria

Duas notícias que merecem destaque hoje, primeiro a péssima. O desaparecimento do avião da Air France (vôo AF 447) foi mesmo uma enorme tragédia, imagina o que significa nem ao menos saber como, onde, em que circunstâncias morreram amigos ou parentes. Foi como se todas aquelas pessoas de uma hora pra outra simplesmente deixaram de existir, a morte de qualquer forma é muito dura, mas eu acho que, se ela se torna palpável, há um consolo, uma aceitação maior. Realmente fiquei muito triste por todas as pessoas que morreram.




A outra notícia é muito boa: a divulgação das cidades brasileiras
que serão sedes na Copa de 2014. Uma ótima notícia para nós,
nordestinos, teremos Salvador,Fortaleza, Natal e Recife ! Também
estão na lista Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Cuiabá, Curitiba e Manaus. Vocês não ficam emocionados só de pensar que vão poder assistir a um jogo de Copa do Mundo ao vivo?!!! É bom demais pra ser verdade!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Post Triste

Hoje pela manhã recebi uma triste notícia, meu avô Dadá morreu. Queria ter alguma foto digital dele, mas infelizmente as poucas que tenho são antigas, para mostrar seus lindos olhos azuis - escondidos atrás de seus óculos de lentes muito grossas, é bem verdade - sua pele muita branca, já manchada de tão maltratada pelo sol e seu sorriso sincero quando nos encontrávamos. Só tenho boas recordações do meu avô ( e é tão bom sentir-se assim em relação a alguém): a raspa do tacho de queijo de manteiga, a fila dos netos com as canecas para pegar leite ordenhado na hora no curral, a ternura e mansidão da voz, o orgulho de nos ver crescidas a ponto de saber dirigir na capital. Estava com 87 anos e vários problemas de saúde, muitos diriam que já era de se esperar, mas nunca será simples assim.

"Cada dia que passa incorporo mais esta verdade, de
que eles não vivem senão em nós
e por isso vivem tão pouco;tão intervalado;tão débil.
Fora de nós é que talvez deixaram de viver, para o que
se chama tempo.
E essa eternidade negativa não nos desola.
Pouco e mal que eles vivam dentro de nós, é vida não
obstante.
E já não enfrentamos a morte, de sempre trazê-la
conosco."

Inevitavelmente, recorro a Drummond uma vez mais. Beijos, Guga