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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Sempre renuncias, Bento... - por Daniel , um jovem espanhol




A verdadeira causa da renúncia do Papa




Tenho 23 anos e ainda não entendo muitas coisas. E muitas coisas não podemos mesmo entender às oito horas da manhã quando te acordam para dizer: “Daniel, o Papa renunciou”.  Eu apressadamente contestei: “Renunciou?”.  A resposta não deixava dúvidas, “Renunciou Daniel, o Papa renunciou!”.

O Papa renunciou.  Assim que o dia amanheceu, o fato foi anunciado em todos os meios de comunicação, e rapidamente muitos perderam a fé e outros muitos a reforçaram. Poucas pessoas entendem o que é renunciar.
Eu sou católico, um de muitos. Destes que durante a infância foi levado à missa, cresceu e criou apatia. Em algum ponto ao longo da estrada deixei para lá toda a minha crença e a minha fé na Igreja, mas a Igreja não depende de mim para seguir, nem de ninguém (nem do Papa). Em algum ponto de minha vida, voltei a cuidar da minha parte espiritual e assim, de repente e simplesmente, prossegui em um caminho e hoje digo: Sou católico. Um de muitos, mas católico. 

Desde um doutor em teologia até um analfabeto em escrituras, o que todo mundo sabe é que o Papa é o Papa. Odiado, amado, objeto de provocações e orações, o Papa é o Papa, e o Papa morre sendo Papa. Por isso, quando acordei com a notícia, eu, junto com milhões de seres humanos, me perguntei: por quê? Por que a renuncia senhor Ratzinger? Sentiu medo? Sentiu a idade? Perdeu a fé? Ganhou a fé? Depois de 12 horas, acredito ter encontrado a resposta: O senhor Ratzinger renunciou a toda a sua vida. Simples assim.

O Papa renunciou a uma vida normal. Renunciou a ter uma esposa. Renunciou a ter filhos. Renunciou a ganhar um salário. Renunciou a mediocridade. Trocou horas de sono por horas de estudo. Renunciou a ser só mais um padre, mas também renunciou ser um padre especial. Renunciou preencher a sua cabeça de Mozart, para preenchê-la de teologia. Renunciou a chorar nos braços de seus pais. Renunciou a, tendo 85 anos, estar aposentado, desfrutando de seus netos, na comodidade de sua casa e no calor de uma lareira. Renunciou desfrutar de seu país. Renunciou a seus dias de folga. Renunciou a sua vaidade. Renunciou a defender-se contra os que o atacavam. Sim, isso deixa claro que o Papa foi, em toda a sua vida, muito apegado à renuncia.

Um papa que renuncia a seu pontificado, quando sabe que a Igreja não está em suas mãos, mas nas mãos de alguém maior, me parece ser um Papa sábio. Nada é maior que a Igreja. Nem o Papa, nem seus sacerdotes, nem os leigos, nem os casos de pedofilia, nem os casos de misericórdia. Nada é maior que ela. Mas ser Papa é um ato de heroísmo (um dos heroísmos que acontecem diariamente em nossos países e que ninguém nota). Lembro das histórias do primeiro Papa. Um tal de ... Pedro. Como ele morreu? Em uma cruz, crucificado igual ao seu mestre, mas de cabeça para baixo. Hoje, Ratzinger se despede de modo igual. Crucificado pelos meios de comunicação, crucificado pela opinião pública e crucificado por muitos de seus irmãos católicos. Crucificado pela sombra de alguém mais carismático. Crucificado e com a humildade que tanto dói entender. É um mártir contemporâneo, destes sobre os quais se podem inventar histórias, destes que podem ser caluniados e acusados. E que quando responde, a única coisa que faz é pedir perdão. “Peço perdão pelos meus defeitos”. Nem mais, nem menos. Quanta nobreza, que classe de ser humano. Eu poderia ser mórmon, ateu, homossexual e abortista, mas ver uma pessoa da qual se dizem tantas coisas, que recebe tantas críticas e ainda responde assim... já não se vê no mundo pessoas assim.

Vivo em um mundo onde é engraçado zombar do Papa, mas inconcebível fazer qualquer crítica a um 
homossexual (ou será taxado de intolerante, fascista, direitista e nazista). Vivo em um mundo onde a
hipocrisia alimenta as almas de todos nós. Onde podemos julgar um senhor de 85 anos que quer o melhor para a Instituição que representa, mas lhe indagamos com um “Com que direito renuncia?”. Claro, porque no mundo NINGUÉM renuncia a nada. Ninguém se sente cansado ao ir para escola. Ninguém se sente cansado ao ir trabalhar. Vivo em um mundo onde todos os senhores de 85 anos estão ativos e trabalhando (sem ganhar dinheiro) e ajudam às massas. Sim, claro!

Mas agora sei, senhor Ratzinger, que vivo em um mundo que vai sentir falta do senhor. Em um mundo que não leu seus livros, nem suas encíclicas, mas que em 50 anos se lembrará como, com um simples gesto de humildade, um homem foi Papa, e quando viu que havia algo melhor no horizonte, decidiu partir por amor à sua Igreja. Vá morrer tranquilo senhor Ratzinger. Sem homenagens pomposas, sem um corpo exibido em São Pedro, sem milhares aclamando e aguardando que a luz de seu quarto seja apagada. Vá morrer como viveu, mesmo sendo Papa: humildemente.

Bento XVI, muito obrigado por saber renunciar.


Quero somente pedir minhas mais humildes desculpas se alguém se sentiu ofendido ou insultado com 
meu artigo. Considero a cada uma (mórmons, homossexuais, ateus e abortistas) como um irmão meu, nem mais nem menos. Sorriam, que vale a pena ser feliz.

Fonte :
http://oehd.wordpress.com/2013/02/12/siempre-renuncias-benedicto/

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Pasquale Cipro Neto / A propósito de carnaval

Os meus leitores fiéis sabem que não dou a mínima para o Carnaval. Na verdade, não é bem assim, porque não é a mínima que não dou; dou a máxima, já que simplesmente fujo dele. Carnaval? Me inclua fora dessa, por favor. Aos que ficam, bom proveito!
Esse pavor do Carnaval não me impede de gostar dos memoráveis sambas, frevos e marchinhas que gênios deste país produziram e produzem desde sempre. Algumas dessas obras-primas são de Caetano Veloso, que, diferentemente deste escriba, adora o Carnaval, o verdadeiro, o de rua, como se deduz por estes versos da antológica "Um Frevo Novo": "Todo mundo na praça / e muita gente sem graça no salão".
O caro leitor notou o duplo valor da expressão "sem graça"? Captou? Dou uma ajuda: "sem graça" qualifica definitivamente "gente" ("gente sem graça" = "gente chocha", "que não cheira nem fede") ou existe aí um verbo subentendido ("muita gente que, no salão, fica sem graça")?
Na mesma canção, Caetano costura uma das suas inúmeras referências intertextuais ao retomar o célebre poema "Ao Povo o Poder", do grande poeta baiano Castro Alves ("A praça? / A praça é do povo / Como o céu é do condor"). Caetano começa a letra de "Um frevo Novo" assim: "A praça Castro Alves é do povo / como o céu é do avião".
Parece desnecessário explicar a "adaptação aos tempos modernos" que Caetano faz dos versos de Castro Alves, certo? Mas não é desnecessário explicar que a praça Castro Alves existe, sim, e é um dos grandes redutos (talvez o principal) das manifestações populares dos soteropolitanos.
Embora estejamos num tempo de leitura escassa, de compreensão quase zero e de pouca ou nenhuma valorização da cultura clássica, ainda há alguns concursos públicos (vestibulares, por exemplo) que "insistem" em avaliar a competência intertextual dos candidatos, o que, na verdade, equivale a avaliar o quanto de bagagem cultural cada um desses meninos traz. De certa forma, enoja-me essa coisa de alguém dar importância a algo só porque os concursos exigem, isto é, enoja-me essa visão utilitarista. Melhor mesmo é, por puro prazer, por pura inquietação intelectual e existencial, entender os diálogos que um texto mantém com outros. Cá entre nós, assim a leitura faz muito mais sentido, não?
Mas voltemos ao tema "Carnaval" nas canções de Caetano. Na não menos brilhante "Chuva, Suor e Cerveja", Caetano relata o que "rola" num comboio carnavalesco de rua ("Não saia do meu lado / Segure o meu Pierrô molhado / E vamos embora ladeira abaixo"). O grande protagonista de alguns dos versos dessa canção é a aliteração, figura que o "Houaiss" assim define: "Repetição de fonemas idênticos ou parecidos no início de várias palavras na mesma frase ou verso, visando obter efeito estilístico na prosa poética e na poesia". Em seguida, o dicionário dá este exemplo: "Rápido, o raio risca o céu e ribomba". A aliteração está na repetição do fonema expresso pelo "r".
Nos versos de "Chuva, Suor e Cerveja" em que há aliteração, Caetano vai muito além da definição do "Houaiss". Vejamos: "Acho que a chuva ajuda a gente a se ver / (...) A gente se embala /Se embora / Se embola / Só para na porta da igreja...". Que lhe parece a aliteração de "Acho que a chuva ajuda a gente a se ver"? Leia várias vezes. Ouviu o "barulho" da chuva na sequência "ch" (de "acho" e "chuva"), "j" (de "ajuda") e "g" (de "gente")? Leia o trecho de novo, por favor.
Vamos aos versos seguintes: "A gente se embala / Se embora / Se embola...". Notou o efeito da repetição do fonema de "b"? Não parece fidelíssima a representação escrita, poética do "bolo" humano?
Cá entre nós, caro leitor, dá até vontade de gostar de Carnaval, mas... Tô fora. Literalmente. É isso.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Síntese da felicidade... - Carlos Drummond de Andrade

Faz tempo, muito tempo que ninguém escreve aqui no blog, inclusive eu! Acho que temos passado muitas horas nos facebooks, instagrams e whatsapps da vida, e nos dado por satisfeitos!! Não mais! Mesmo que ninguém acesse ou leia, firmo o compromisso de postar aqui cotidianamente, como sempre fazia e adorava fazer. Para um novo começo, nada melhor do que um amor já conhecido, por isso, claro, sempre e uma vez mais, Drummond :) .


"Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel...
E muito carinho meu".

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Jose Simão - ' refresco ' de fim de semana


Ueba! O verão do semiaberto!





Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E adorei o chargista Dálcio: com o Felipão na seleção, o Fuleco vai virar Segundeco! Rarará! E adorei a foto com a legenda "O futuro da Seleção: Marin, Felipão e Parreira"! É O NOVO! O Trio Ditadura! Deviam tá jogando tranca, dominó e bocha!



E o Marin escolhendo o Felipão parece aquele que casou com a miss Brasil 1975 e achou que tava arrasando. Rarará! Os Reis da Retranca. Os rei tranqueiros! Já sei como vai ser: a seleção vai jogar com dez atrás e um recuado. Gol é palavrão! Quem quiser bola na rede que vá assistir basquete.



E a seleção não precisa de técnico, precisa de parteira: cada partida, um parto! E a manchete do Piauí Herald: "Rosemary leiloa honestidade!". Diz que tá intocada, nunca usou! E adoro os nomes das operações da Polícia Federal! Tipo Operação Porto Seguro. "Operação Porto Seguro! Flagraram a Rosemary na Passarela do Álcool." Rarará!



E o mensalão?! Saldo do mensalão: 13 fechados e 12 semiabertos! Vai ser o verão do semiaberto. Supremo dita que este vai ser o verão do semiaberto. De dia pega uma praia e de noite vê o sol nascer quadrado. "Vou pegar uma praia." "E eu vou pegar um semiaberto."



E o Jefferson com aquela cara de carcereiro de delegacia? Pegou sete anos semiaberto! Quando os tiozinhos tavam calculando a pena do Jefferson, uma amiga disse: "Só isso? Quebrou a calculadora?". Quebrou com o Zé Dirceu! Rarará!



E o Jefferson: "Não sou santo, mas não sou corrupto". Então devolve os R$ 4 milhões que você pegou do Dirceu! Rarará!



E o mensalão tá acabando! Será que os tiozinhos vão ter síndrome de abstinência? Vão acordar no meio da noite suando frio: "Cadê a minha capa preta? Eu quero a Globo News!". Já imaginou aquele monte de capa preta no varal?



Agora vamos pro mensalão dos tucanos. Do Partido das Socialites do Brasil! Como diz um amigo meu: "depois da petralhada, a tucanalha". Queremos o mensalão tucano. Não tem virgem na zona! É mole? É mole, mas sobe!



Socorro! Pegou fogo na sede do Flamengo! Incêndio no Mengão! Do jeito que o clube bebe, é só riscar um fósforo! Rarará! Ou seja, o Flamengo vai ficar mais queimado do que já tá! E diz que a Patricia Amorim vai posar nua pra pagar os estragos! Se ela fizer isso vai endividar a revista também! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Ruy Castro - De Nelson e de Millor

 RIO DE JANEIRO - Nelson Rodrigues deixou centenas de frases definitivas, você sabe. Mas Nelson morreu em 1980, e o mundo seguiu sem ele. Daí que, diante de algum novo escândalo nacional, sempre me perguntam o que ele diria se ainda estivesse por aqui. Respondo que esse é um tipo de suposição em que ninguém me pega -tentar adivinhar o pensamento de Nelson Rodrigues. Mas a política é dinâmica e, de repente, talvez até algumas frases de Nelson tenham de ser revistas. Sobre Brasília, por exemplo -não a cidade, mas o poder-, ideal para o planejamento e prática de atos ao largo da nação. Em 1969, Nelson afirmou que lá "todos são inocentes e todos são cúmplices" -frase que, com a ressalva de um ou outro breve intervalo de decência, atravessou décadas e chegou até nós. Pois pode deixar de se aplicar, agora que o processo do mensalão abriu a tampa do vaso e expôs os "malfeitos" que uma rede de cúmplices produziu e deixou para trás. Já outra antiga imagem de Nelson, adaptada ao noticiário recente, tornou-se materialmente visível: a de que a corrupção no Brasil "pinga do teto e escorre pelas paredes". Só assim Rosemary Noronha, simples secretária de certo órgão, poderia nomear pessoas para cargos tão acima de sua posição na hierarquia. O único a não se espantar com isso talvez fosse Nelson. Para ele, não havia pessoa insignificante: "O mais humilde mata-mosquito pode se julgar um Napoleão, um César, e agir de acordo". Como tinha costas quentes, Rosemary convenceu-se de que era a Cleópatra de si mesma. E, ao ouvir os protestos vociferados de ex-grandes nomes da política contra suas condenações, alegando uma inocência de vestais, vem-me a imagem de Millôr Fernandes: "o rabo escondido, com o gato de fora". Muito boa mesmo, exceto por não fazer jus à inteligência e à integridade dos gatos

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Pasquale Cipro Neto

Batalha sem fim Tenho um arquivo de bobagens perpetradas pelos meios de comunicação. O assunto interessa aos leitores e frequentemente é abordado nos principais vestibulares do país. Tenho alguns "colaboradores" nessa tarefa (leitores e colegas que me mandam pérolas e pérolas). Compreendo perfeitamente as razões que levam redatores a escorregar na construção de frases, principalmente quando o assunto é o título, seja no jornal de papel, seja na internet. A pressa, nos dois meios, e a vontade de dar a notícia em primeira mão, no caso dos sites, põem em segundo plano a língua, a clareza etc. Mas, cá entre nós, nada justifica a permanência (nos sites) de bobagens durante horas e horas, às vezes o dia todo. Será que ninguém relê? Ou será que relê, mas não percebe? Veja esta maravilha, colhida há dez dias: "Torcida do Flu celebra por 10 min com elenco em festa com brigas". Que diabo é isso? O que significa esse enigma? Aos fatos: finda a rodada de 11 de novembro, o Fluminense tornou-se campeão brasileiro de 2012. Terminado o jogo contra o Palmeiras, a delegação tricolor foi de Presidente Prudente (SP) para o Rio de Janeiro em voo fretado. Ao aterrar no Rio de Janeiro, o avião apresentou problemas, e o piloto precisou arremeter algumas vezes. O fato é que a delegação chegou atrasadíssima às Laranjeiras, onde uma impaciente torcida esperava os ídolos. Essa espera "irritou" alguns "torcedores", que passaram a fazer o diabo na sede do Flu. Os jogadores chegaram, ficaram míseros 10 min com a torcida e deram no pé. O que acabo de relatar foi "resumido" pelo ininteligível título já transcrito. Pergunto a você, caro leitor, como já fez a Unicamp em seu vestibular: o título condiz com a "matéria"? O título traduz a matéria? É claro que não. O que o título faz é exigir do leitor um contorcionismo inútil. Inútil porque é simplesmente impossível adivinhar o que a frase significa. Talvez uma simples alteração (para variar) na ordem dos termos que constituem a frase baste para "clarear" as coisas. Vejamos esta opção: "Em festa com brigas, torcida do Flu celebra com elenco por 10 min". Que tal? Parece que melhorou, mas pode melhorar ainda mais. Como foi o elenco que se escafedeu depois de míseros de 10 min, não seria melhor mudar o sujeito do verbo "celebrar"? Vejamos: "Em festa com brigas, elenco do Flu celebra com torcedores por 10 min" (ou "celebra por 10 min com torcedores"). Como já afirmei diversas vezes neste espaço, a ordem dos termos é fundamental para que se alcance a transmissão mais fiel possível da mensagem. Lidar com isso (ou aprender a lidar com isso) é um dos primeiros passos para quem quer aprender a escrever (e a ler). Mudando de pato para ganso, sem sair dos tropeços que correm pela internet, vale a pena citar as pérolas da bandidagem que correm pela web. Refiro-me aos pilantras que mandam e-mails para ludibriar afoitos e incautos. Uma significativa parcela dessas mensagens vem com erros grosseiros. Dia desses recebi uma dessas pérolas, cujo assunto era este: "Evite a suspenção da sua conta". "Suspenção"? Elaiá! O substantivo que designa o ato de suspender é "suspensão", com "s". Sim, eu sei, há substantivos que designam o "ato de" terminados em "são", "ssão" e "ção". Sim, eu sei, é normal ficarmos em dúvida na hora de usar essas terminações, mas... Mas um erro grosseiro como esse é cheiro de golpe, não acha? Lembra aquele caso dos policiais rodoviários catarinenses que pararam um carro cuja placa era de "Frorianópolis"? Sem comentários. É isso.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

José Simão

Luis Fabiano! Queimou a pepeta! Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Horário de verão! Todo mundo sem noção! Que horas são? Meio-dia pras quatro! Adiantou seu relógio? Adiantei antes do ladrão levar! E o Kassab acordou deprimido, perdeu uma hora de mandato. E uma menina no Twitter: "hoje eu senti na pele o que é ser Barrichello, acordei com os outros uma hora na minha frente!". Rarará! Pensamento do dia: você sabe que está ficando velho quando os trigêmeos da Fátima e do Bonner fazem 15 anos! E a piada pronta: "Engajamento eleitoral da igreja é inédito, diz dom Fernando Figueiredo". A piada fica por conta do "inédito". Rarará! E o padre Marcelo é uma mistura de "Jesus Cristo Superstar" com "A Noviça Rebelde". Com seu hit; "Erguei as mãos". Mas São Paulo anda tão violenta que devia ser : "Erguei as Mãos Que É Um Assalto". Ou então fazer uma versão "kit-gay": "Ergay as mãos". Rarará! E sabe qual a diferença entre o Kassab e o Serra? O Kassab fundou um partido e o Serra afundou um partido! E o Lulalelé? O Lula tá tomando um pileque de palanque. Tá concorrendo a umas dez prefeituras! E o Rubinho na Stock Car? Ele concorre em tudo que anda? Não, ele coanda em tudo que corre! Só falta trator, pedalinho e colher de sopa! Muda o nome pra STOP CAR! E ele chegou em 22 º lugar, a dobradinha continua. E diz que ele foi o corredor que mais largou na F-1! E o que menos chegou! E o Luis Fabiano? Perdeu o pênalti! É o Adauto! O Vagner Love gritou: "Chupetinha!". Queimou a pepeta! Rarará! Reviravolta no mundo animal: Urubu comeu Bambi. E uma amiga reclamou que dois urubus pousaram na varanda dela. Não eram urubus, eram flamenguistas que fugiram pra São Paulo por causa das UPPs! E o último recado da Carminha no Facebook: "não sei vocês, mas eu tive uma semana péssima!". É mole? É mole, mas sobe! E o Fidel? El Coma Andante! O Fidel não morreu. Ao contrário dos boatos! Os legistas fizeram a autópsia e ele tá ótimo! Rarará! Diz que ele conversou por meia hora. Só meia hora? Então ele piorou, tá péssimo. Rarará! E a última do Sensacionalista: "Homem morre durante último capítulo de 'Avenida Brasil' e a família não percebe". E como está o Brasil sem a Carminha? Num misto de orfandade e alívio! Nóis sofre, mas nóis goza! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

terça-feira, 5 de junho de 2012

Você precisa saber... da cartolina - por Martha Mendonça

"Logo que comunicou sua saída do Jornal Nacional, Fátima Bernardes deu uma entrevista falando das mudanças, do novo programa e de algumas coisas do cotidiano. Perguntada sobre o fato de o marido, William Bonner, ter se transformado num ídolo do Twitter, onde escreve assiduamente, ela respondeu: “Eu não tenho tempo. Enquanto ele está tuitando, eu estou pensando se alguma das crianças precisa levar cartolina pra escola no dia seguinte”.

 A frase bateu fundo no meu coração.

 Eu também coordeno a cartolina. E a cola e o presente do coleguinha e o binóculo pra excursão e o compasso escolar de precisão com cabeça fricçao 559wp001, que quebrou.

 Sim, os homens mudaram. Ninguém pode negar. Lavam louça, trocam fraldas, levam as crianças em festinhas infantis, ao médico. Os que me cercam, pelo menos, são assim – ou dou sorte. Conheço alguns que levam até mais do que as mães.

 Mas há uma última fronteira, espaço não explorado ainda pelos homens-pais, algo que eles ainda não experimentaram: a cartolina do dia seguinte.

 Por mais que eles façam, levem, tragam, cuidem, existe uma função que é da mãe (ou quase sempre da mãe, antes que chovam comentários tipo “ah, o vizinho do meu primo é que vê tudo isso”). Coordenar, ser uma agenda em forma de pessoa, ter um bloco de notas do smartphone com 319 itens, ter que se virar quando a pequena criatura diz “ih, mãe, amanhã é aniversário do Marcelo”, quando falta apenas uma hora pra ela ir pra escola – e você já está dando o beijo de despedida para trabalhar… Tudo isso está nas nossas costas maternas.

Organizar, lembrar de tudo, improvisar na última hora. Isso cansa muito mais do que o leva-e-busca (que a gente também faz!). Isso tudo ocupa a mente quando você toma banho, quando você entra no metrô. Quando você dorme. Recentemente sonhei que eu perdia a matrícula da escola nova da minha caçula. Acordei suada. Por muito tempo eu parava num sinal, já na esquina da natação do meu filho, e vasculhava desesperada a mochila pra saber se eu tinha mesmo tirado a touca da secadora.

Por isso, soltei uma gargalhada nervosa ao ler a resposta da Fátima. A cartolina do dia seguinte! Bingo. E fiquei com a impressão de que, se depender dela, este programa novo para mulheres vai ser um sucesso."



Quando li esse texto hoje, tive uma identificação imediata rsrs. Hoje acordei com Clara passando a minha pauta do dia: providenciar uma cartolina e fotos dela, de quando nasceu até hoje, para um trabalho da escola e comprar o seu vestido de São João. Depois abro a agenda de João e mais uma tarefa: confeccionar um instrumento musical com material reciclável. Tenho uma teoria de que a maternidade tem um poder devastador sobre a nossa capacidade de memorização. As coisas deles acabam ocupando praticamente todo o nosso espaço de armazenamento disponível. Gente, eu tinha uma memória espetacular !! Hoje, muitas vezes  tenho que parar para pensar onde estão cada um dos meus filhos, se está na hora  de pegá-los em algum lugar. Tenho que ter tudo anotado na agenda, as datas das provas e das reuniões escolares. A mãe tem que ir no encontro da catequese, tem que assistir à final de futsal dos jogos escolares, não pode esquecer de pagar a inscrição para o passeio da escola e, claro, sempre tem que comprar alguma cartolina...

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A vida ao contrário

Eu queria ter escrito esse texto! Adorei: "A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deverí­amos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí­ viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. ...Aí­ você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade. Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?" Charles Chaplin

domingo, 13 de maio de 2012

Feliz dia das mães!!



"Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo ! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo".    José Saramago


quinta-feira, 5 de abril de 2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Meu tênis é mais caro que o seu - por Rosely Sayão

Uma criança é xingada porque não usa a mesma pulseira que as colegas e outra recebe poucos colegas para a festa de aniversário porque a comemoração não foi feita no bufê da moda.
 Situações como essas, que são apenas exemplos, estão se tornando cada vez mais frequentes na convivência entre os mais novos.

 O consumo valorizado e exagerado que adotamos e os modismos lançados por esse mercado estão caindo diretamente sobre os ombros das crianças. Elas estão sem proteção em relação a isso.
Até agora, uma significativa quantidade de pais que se preocupam em defender a infância dos filhos estava preocupada com a quantidade de presentes (brinquedos e geringonças tecnológicas) que as crianças ganham.

Os motivos das preocupações que eles tinham até então são legítimos. Quanto mais brinquedos tem uma criança, menos ela brinca. Quanto mais aparelhos com mil e uma utilidades têm as crianças e os adolescentes, menos eles conseguem se concentrar no que é preciso e mais deixam sua atenção flutuar entre diversas coisas.

 Agora, esses pais e outros que queiram refletir sobre o que se passa com seus filhos quando eles convivem no mundo púbico (escola, clube, área comum dos condomínios) precisam considerar uma outra questão. Eles precisam considerar também que o imenso valor que estamos dedicando ao consumo tem servido para que os mais novos criem preconceitos e estereótipos que servem para excluir, segregar, desprezar seus pares.

 E antes que você pense que seu filho pode ser alvo ou vítima dessa situação, considere principalmente que ele pode ser um agente dela.

 Sim, caro leitor, o fato de você impedir que seu filho tenha mais do que precisa, que valorize marcas em vez de objetos e que manifeste soberba, por exemplo, hoje já não é mais suficiente para livrar seu filho de julgar os colegas e os outros pelo que eles têm ou deixam de ter.

 Lembre-se que seu filho vive neste mundo que o bombardeia com informações que o direcionam a fazer isso. "Quer ser popular? Compre tal objeto." "Quer ser convidado para todas as festas? Use tal roupa." "Quer ter sucesso? Tenha tal carro." Frases desse tipo repetidas como mantras colam em seu filho. Por isso, você terá de fazer mais por ele.

Uma boa atitude pode ser a de analisar criticamente as propagandas bonitas, vistosas e bem-humoradas que seduzem seu filho. Com sua ajuda, seu filho pode entender que a única coisa verdadeira nesse tipo de propaganda é o objetivo de vender. Além disso, você pode também expressar a ele, com veemência, sua opinião a respeito de quem usa bens de consumo para julgar o outro.

Sinalizar seu posicionamento é uma ótima referência na formação de seu filho. Finalmente: que tal cultivar, com persistência e cotidianamente, algumas virtudes que podem ajudar seu filho a ser uma pessoa de bem?

(Rosely Sayão é psicóloga, escritora e publicou esse texto na semana passada, na sua coluna da Folha de São Paulo)


Fazia tempo que eu estava querendo postar aqui alguma coisa a esse respeito, tinha guardado até um texto ótimo que recebi do Motiva com o mesmo tema, mas não sei onde o coloquei. Acho crucial refletirmos sobre esse aspecto do "dar", do "ter" (muitas vezes sem merecimento algum por parte da criança) e termos em mente que o mais importante sempre são os "presentes" morais que podemos oferecer aos nossos filhos, e não os materiais. As crianças precisam criar laços e cultivar seus relacionamentos desde cedo baseados em seus sentimentos, valores e crenças, deixando de lado os interesses e influências. Precisamos, mais do que isso, temos o dever de educar uma geração honesta, verdadeira, comprometida com a paz e o bem.

segunda-feira, 19 de março de 2012

A vida do outro é sempre mais fácil* - por Isabel Clemente (Mulher 7 x 7)



Coisa que me incomoda são os discursos de autopiedade. Por serem desprovidos de autocrítica ou por não indicarem solução para a autocomiseração, soam-me como labirintos de palavras inúteis. Pavimentam caminhos que não levam a lugar algum. Elevados às raias do exagero, esses discursos também excluem o outro da conversa porque geralmente quem reclama demais só ouve a si mesmo, além de transmitir a seguinte mensagem: sua vida é muito mais fácil do que a minha, só te resta me escutar. E está selado, assim, o fim da nossa amizade.

Uma variação do discurso de autopiedade é aquele que arvora para si o monopólio da experiência. Nasci antes, portanto, sei mais do que você. Já passei por isso, sua experiência me é desnecessária. No final das contas, a conclusão de quem pensa assim é que o outro nada pode lhe acrescentar. Ela busca confirmar a própria penúria e se rotula, sem perceber, como alguém digno de pena. Essa pessoa é uma ilha, onde só chegam a nado os escolhidos, que serão poucos, aliás, e todos como ela mesma. Basicamente um lugar chato.

E tem também a versão autopiedosa de quem prefere julgar o outro pelo que ele parece ser. Em pé, na banca, a mulher do lado comenta a terceira gravidez de Angélica. “Com todo esse dinheiro, até eu teria três filhos”. Vai dizer que você nunca ouviu isso? A mulher resolveu se justificar jogando para o outro, a Angélica, a “vida fácil” que ela não tem. É claro que o dinheiro ajuda. Problemas práticos se afastam. Você contrata alguém para cozinhar, lavar, arrumar, pagar suas contas e até organizar o seu armário, se quiser. E tem todo o glamour, as portas que se abrem, a profissão que rende dinheiro etc. Quase um conto de fadas. Mas ter filhos é mais do que bancar escola, médico, roupas e brinquedos. É mais do que proporcionar viagens e conforto. O que um filho precisa mesmo é de atenção e proteção, e essas mercadorias podem faltar tanto nas famílias abastadas como nas carentes. Além do mais, o imponderável da vida é democrático, vale para todos nós. Muitas vezes é essa sensação de não controlar o mundo que deixa as pessoas inseguras e com medo. Para esse medo, não tem dinheiro que dê jeito.

Não sei da vida da Angélica, não é minha amiga e nunca a entrevistei. O que eu quero dizer é que apontar os privilégios alheios para justificar as minhas dificuldades é o pior caminho. O fato do outro não ter passado pelas mesmas experiências, de não ter necessariamente “começado de baixo”, de não ter sofrido com uma determinada doença, não ter ficado desempregado não o desqualifica, apenas o caracteriza como alguém diferente de quem passou por tudo isso.

É bom se identificar. Abrimos as portas da nossa alma para pessoas que parecem refletir nossos pensamentos. Nada mais reconfortante do que ler uma crônica política que traduza nossa indignação. É libertador rir de uma cena no cinema que parece tirada da nossa vida particular. Mas nada mais enriquecedor do que descobrir no outro sentimentos como os meus. É a humanidade que nos aproxima. E humanidade é o único antídoto que conheço para a intolerância e para o monopólio da dor. Se somos todos humanos, rimos e choramos.
*ou a grama do vizinho é sempre mais verde, daí a ilustração do post. ; )

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

RECEITA DE FELICIDADE

Pegue uns pedacinhos de afeto e de ilusão;
Misture com um pouquinho de amizade;
Junte com carinho uma pontinha de paixão
E uma pitadinha de saudade.
Pegue o dom divino maternal de uma mulher
E um sorriso limpo de criança;
Junte a ingenuidade de um primeiro amor qualquer
Com o eterno brilho da esperança.
Peça emprestada a ternura de um casal
E a luz da estrada dos que amam pra valer;
Tenha sempre muito amor,
Que o amor nunca faz mal.
Pinte a vida com o arco-íris do prazer;
Sonhe, pois sonhar ainda é fundamental
E um sonho sempre pode acontecer….
Toquinho

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Você é ... - por Martha Medeiros

Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava, você é os nervos a flor da pele no vestibular, os segredos que guardou, você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai, você é o que você lembra.

Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora.

Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda.

Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta, você é o que você queima.

Você é aquilo que reinvidica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia.

Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ser emotivo


"A emoção é a discipina rebelde do meu espírito. Só sei dirigir-me por ela! Não saberia nunca conduzir meu raciocínio abstraindo tristezas e ansiedades, moldando uma linguagem que, não sendo espontânea, não estaria em paz com os meus pensamentos. Só liberto dos lábios as palavras prisioneiras do coração!" (Raimundo Asfora) É ora uma virtude, ora um defeito...mas sou assim, feliz ou infelizmente, em todas as horas.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Como escrever , segundo Graciliano Ramos

“Quem escreve deve ter todo cuidado para a coisa não sair molhada. Quero dizer que da página que foi escrita não deve pingar nenhuma palavra, a não ser as desnecessárias. É como pano lavado que se estira no varal. Naquela maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício.

Elas começam com uma primeira lava. Molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Depois colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão.

Depois batem o pano na laje ou na pedra limpa e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.

Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso, a palavra foi feita para dizer”.

domingo, 28 de agosto de 2011

Para este Domingo

"A paciência e o tempo valem mais do que a força e a raiva [e que o rancor e a tristeza e o dinheiro e mais um monte de outras coisas]" (Jean de La Fontaine)


Bom Domingo a todos!