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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O tempo presente

 

 Vou confessar uma coisa, ontem, em cada momento livre que tive no trabalho, fiquei vasculhando este blog. Foi como se estivesse sentada no chão revirando as minhas velhas caixas de recordações. Quanta coisa mudou, quanta continua do mesmo jeito, quanta bobagem escrita, quanto texto bom "perdido"! Ler algo que escrevemos há um tempo nos remete a uma idéia muito clara de nós mesmos, do que sentíamos, do que queríamos, das nossas opiniões, de quem éramos ou pensávamos ser, no que nos tornamos.
 
Esta foto aí embaixo retrata bem a época em que eu estava vivendo, quando escrevia quase que diariamente no blog. Tudo está tão diferente! As minhas preocupações, interesses, anseios e prioridades definitivamente não são as mesmas, e a gente sempre é tentado a achar que mudou pra melhor. Eles cresceram, eu amadureci um pouco mais.


 
Tenho um projeto em mente, há muitos anos: deixar uma espécie de material escrito sobre mim e Crispim para nossos filhos. Não é bem um livro, é mais um punhado de informações, tipo um acervo onde eles poderiam ter acesso a cartas, textos, depoimentos, conselhos, enfim, algo a que eles poderiam recorrer, quando não estivermos mais aqui.
 
Na verdade, eu sempre quis muito ter algo assim. Como seria bom se tivéssemos onde pesquisar sobre as pessoas que amamos, cujas referências são tão importantes para nós, sobre parentes próximos ou até mesmo sobre certas figuras interessantes que conhecemos nesta vida! Já imagino um arquivo enorme com os títulos em ordem alfabética, organizados em pastas suspensas rsrs. Teria que ser em papel mesmo, a maior parte escrita de próprio punho, com fotos desbotadas misturadas a bilhetinhos, cartões-postais, recordações de alguma viagem especial. Nada arquivado de forma digital, que parecesse estéril e impessoal. Até os posts escolhidos deste blog teriam que ser impressos, um a um, e as fotografias do Instagram, reveladas.
 
Algo concreto para a posteridade, para os netos e bisnetos que talvez não venhamos a conhecer, mas que terão interesse em saber sobre nós. Não é algo para soar como uma pretensão de ser eterno ou inesquecível, mas uma forma simples de compartilhar momentos valiosos que aconteceram no passado, e que, de alguma forma, exercerão influência em suas vidas ou, no mínimo, despertarão curiosidade. Como diz uma música que eu gosto muito: "eternidade é, na verdade, o amor vivendo sempre em nós." Exatamente isso, talvez deseje uma forma de documentar aquilo que aprendemos e vivemos sobre o amor e a sabedoria, a fé e a esperança.

Bom, voltemos ao que viemos fazer. Peço desculpas aos leitores mais assíduos deste blog, àqueles que talvez se cansem com o recorrente apelo ao meu querido Drummond ( mas penso eu que, ao escrever, devemos ter a humildade de pegar as palavras certas já escritas por alguém, quando não temos outras melhores): "O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente." 
 
É daqui, então, que iremos seguir.
 
 
 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Sobre união e gratidão.


A mesa principal, ainda sem o bolo; as mesas de guloseimas e lancheirinhas, de docinhos
e a dos presentes.

Nesse último sábado, teve a festa para todas as crianças acolhidas pela Comunidade Filhos da Misericórdia, lá na Terra da Natividade, que fica bem perto de Mata Redonda. Foi uma festa linda, em que as crianças realmente se divertiram. Uma tarde feliz, graças à colaboração de tantas pessoas, que doaram roupinhas, brinquedos, comidas, seu tempo e dinheiro. E durante a festa, eu só pensava em quantas vidas Deus havia tocado através daquele projeto tão lindo, de retirar mães e filhos do mundo das drogas. Na quantidade de tantos outros projetos que surgiram e já se concretizaram a partir desse. Pensei em como as coisas acontecem, quando as pessoas decidem verdadeiramente se unir por um objetivo comum, em como tudo ali na Terra foi conseguido e construído a partir de pequenas e grandes doações : as casas, os móveis, o refeitório recém-inaugurado, a igreja, enfim, toda a infra-estrutura e sustento diário das pessoas que moram ali. Pensei na beleza das vocações de Padre George e de todos os outros missionários. Pensei em como a vontade de Deus se realiza, a despeito dos erros, das falhas e das limitações humanas!

Pensei em tudo isso e agradeci a Ele profundamente por estar ali, por poder ser testemunha de mais uma obra Sua. Agradeci por tudo de concreto, que estava ali diante dos meus olhos e principalmente por toda a beleza invisível e indizível, que só o coração consegue enxergar. 

Lembrei da primeira vez que fui na Terra, há alguns anos, quando só havia duas ou três casas construídas. Naquele dia, fui tomada por uma grande alegria e por uma sensação de esperança inexplicável e, nesse final de semana, percebi que, desde então, esses sentimentos nunca deixaram o meu coração. A euforia inicial deu lugar a um comprometimento verdadeiro, racional e ao mesmo tempo passional, diante de tanto trabalho que há para ser feito. E para não cairmos na tentação de pensar que nossa colaboração individual não representa muita coisa, temos que ter em mente a frase de Madre Teresa de Calcutá, que dizia que "por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor, se lhe faltasse uma gota."

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Aceitar as diferenças

Todo bimestre, o Motiva - colégio onde meus filhos estudam -  manda um informativo ( Conversando com a Família ) sobre algum tema relevante para a educação das crianças e dos pais ! O último que eu recebi tem como título " Aprender a tolerar as diferenças", resolvi transcrever parte dele, para que vocês também leiam.

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Como diz Pierre Weil: " Mais do que a ausência de conflito, a paz é um estado de consciência. Ela não deve ser procurada no mundo externo, mas principalmente no interior de cada homem, comunidade ou nação (...). Se não tratarmos o interior dos homens, bastará que alguém forneça a munição, e o conflito explodirá tão ou mais forte do que antes (...). Se olharmos a paz apenas como ausência de guerra, abriremos mão de cultivá-la na consciência dos homens. Ficaremos satisfeitos retirando suas armas". Para Weil, a educação pela paz tem como objetivo transmitir maneiras não violentas de resolver conflitos e transformar a energia do conflito em seus diferentes níveis (cultural, social, político e econômico) de modo construtivo.

É preciso que o ser humano se esforce para :


  • Descobrir como viver em paz consigo mesmo, integrando corpo, mente e emoções, depois de entender como os sentimentos de possessividade, rejeição e indiferença destroem a paz dentro da própria pessoa ( ecologia interior);
  • Viver em paz com os outros, encontrando maneiras de melhorar o convívio na família, no trabalho e no âmbito social para, dessa forma, reconstruir a paz na sociedade e promover a transformação social, revendo conceitos e ações na economia, na política e na cultura ( ecologia social );
  • Viver em paz com a natureza, respeitando todas as formas de vida, depois de entender o processo de destruição da natureza e os meios de restabelecer sua harmonia (ecologia planetária).
É preciso desenvolver no ser humano a capacidade de tolerância, ou seja, aceitação das diferenças.

Para sermos construtores da paz, não precisamos ter mais idade, ocupar cargos de direção, assumir postos de liderança ou qualquer outra posição de destaque.

É a tecelagem amorosa do cotidiano o que mais importa; são os pequenos gestos de gentileza, consideração, respeito, cooperação, que constroem o alicerce do clima harmônico e pacífico com os que estão à nossa volta.



segunda-feira, 17 de setembro de 2012

De Candice e de mobile

É um pássaro sem asas , estilizado , de perfeito ponto gravitacional ,pendurado no teto e balançando sobre a mesa do espaço gourmet na casa de Bananeiras. É quem primeiro ve a luz e os multiplos moisacos dos muitos tons de verde do vale. Dei a ele o nome de pavão misterioso e foi presente de Candice , na viagem em que fui apresentado a Rebecca.Este fim de semana fiquei um tempão olhando para ele , daí me veio a lembrança de Candice , o que me ocorre sempre que o observo.Tão longe e tão perto , Candice termina sendo , desta forma , presença e saudade de filha querida.Vou começar a eleger objetos e relacionar com as outras filhas , tipo as ' madeleines ' de Marcel Proust.Será uma maneira de amenizar as ausencias.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O tempo pode parar

Adoro as horas mortas, o tempo que se leva para ir de um lugar a outro, o tempo de espera no consultório, para ser atendida; o tempo até acabar o treino de futebol, até tocar para a saída da escola, até a missa começar; o tempo perdido no aeroporto enquanto aguardamos o vôo, ou seja, todo tipo de tempo parado, onde a vida fica por minutos ou horas em stand-by. Adoro esses momentos, porque neles encontro paz e oportunidade para pensar, para observar sem pressa, para também eu parar junto com o tempo. E poucos lugares são tão propícios à reflexão ( e à oração) como viagens de avião.

Alguns dirão que o inconsciente medo da morte favorece por si só a oração, mas eu não tenho medo de voar, é mais um pensamento infantil e simplório de que estou no céu , portanto, mais perto de Deus e que, talvez assim, meus pensamentos cheguem mais rápido até Ele. Nessas horas me vem tantas coisas estranhas à cabeça, penso em muitos momentos e pessoas que há muito não lembrava, é como se abrisse uma caixa de Pandora às avessas, cheia de coisas boas. E eu penso em tantas coisas lindas que me alegram o coração, que acabo chorando. Aliás estou com mania de chorar sempre, um choro diferente que não é de tristeza. Gosto de pensar que toda a beleza e amor que não cabem em mim (porque de repente o tempo pára, e eu me torno tão pequena) extravasam em forma de lágrimas.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Retratos de uma semana


Dias felizes, dias que deixaram saudades, de querer dormir um pouco mais, de ter que acordar de madrugada, de embalar, de contar muitas histórias da vida verdadeira e de contos de fada, de aprender, de ensinar, de entender, de imaginar, de ouvir tanto que se falou em francês, de fazer mímica, falar português pausado, de calar as palavras e guardar tudo no coração. De rever a família. De comer feijoada, de fazer compras no Mercadão, de descer a ladeira Porto Geral, de molhar os pés na rua alagada. De brindar com champagne mais uma nova vida, de cuidar e ajudar a quem se ama.

sábado, 22 de outubro de 2011

Deus é foda!


Não entendam errado, mas, meu amigo, DEUS é FODA!!!!!!!!! Só tem Jesus e cace outro! Obrigado, Meu Senhor e Meu Deus, por toda minha família linda, pelo pão de cada dia, por minha namorada, por minha Igreja, por minha Universidade, por meus amigos queridos, pelo meu padre, pelos meus problemas e pelas provações, pelo meu lar, por me amar, me perdoar e me abençoar! O Senhor é tampa!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

saudades!

Descobri que um de meus objetivos na vida, tanto na area profissional como no aspecto pessoal eh : desenvolver a auto-suficiencia nas pessoas. Meu trabalho aqui nos Estados Unidos me trouxe este "insight". Eu nao sei exatamente como, mas , de formas distintas e sutis, eu consigo me aproximar da genuinidade dos meus alunos (e pessoas que me relaciono) e atraves do olhar, da escuta ativa e de palavras, o encorajamento se torna a minha ferramenta.

Acho que o Amor eh o meu valor principal. Valor pelo qual eu posso morrer, mas que de fato, eh o que me faz ou me traz a Vida. Mas, tenho percebido que a descoberta do valor pessoal e, nao somente a descoberta, mas, essencialmente, a potencializacao deste valor pessoal, eh de fato a manutencao da saude de uma forma geral (fisica, mental, emocional).

Venho ensinando Lideranca, ensinando Disciplina, ensinando Respeito, ensinando Determinacao, ensinando Espiritualidade, ensinando Simplicidade, Ensinando a Amar, ensinando a Ouvir, ensinando a Ser Genuino, ensinando a Sorrir! Tanta coisa se pode ensinar em um curso de 30 dias em uma expedicao em no meio do nada. Ser educador eh um poder intriseco a qualquer ser humano, mas vou confessar que tenho agarrado esta oportunidade com as duas maos e venho fazendo dela o pao de meu cada dia.

Amo meu trabalho, por isto, porque ele me alimenta. Eu me sinto feliz. Tenho crescido muito profissionalmente. Antes pensava que "crescer profissionalmente" se tratava de uma evolucao em um nivel tecnico, por exemplo, atraves do aumento da experiencia de uma determinada habilidade. Mas, o que tenho refletido eh que, o crescimento profissional (nao estou falando de financeiro, o que necessariamente tem a ver com profissionalismo) vem atraves de maturidade, de descobrir o que ha de mais "selvagem, mais primitivo na sua alma. O presente com o qual voce nasceu e veio entregar ao mundo. Isto eh pre-cultural e pre-linguistico.

O que eu mais procuro no meu trabalho eh somente me transformar em um espelho. Um espelho magico, no qual reflita a alma da pessoa a qual olha nele. Tenho estado muito feliz. Mas, este mes, foi um mes dificil. Os aniversarios de Painho, Guga e Bernardo (meu ex-namorado que faleceu este ano), foram como uma bomba vindo em forma de conta-gotas.

Painho, lembrei de voce o dia inteiro de seu aniversario e a noite, como era meu dia de cozinhar (entre os instrutores), eu fiz um quiche de queijo com brocolis (pasmem! nos comemos muito bem na montanha!) e, como sabia que voces estavam juntos jantando em algum lugar, me visualizei tambem participando da reuniao. Tenho certeza de que voces iam gostar do quiche!

Guga, no dia de seu aniversario eu escalei um dos maiores picos da cadeia de montanhas onde estavamos. Quando estavamos no cume eu bati uma foto com os bracos abertos lembrando de voce. Uma vez voce me falou que quando via estas minhas fotos no topo de uma montanha pensava em superacao e em coragem. Foi tudo o que desejei para voce, que toda a forca e poder que existe dentro de vc, transpareca em quaisquer circunstancias.

Acho que nunca sonhei tanto com meus sobrinhos. Eram sonhos bem loucos entre passado e presente. Sonhava com Lucas e Luisa la nas montanhas comigo, eu ensinando a pescar ( nao que eu saiba pescar! mas a gente pescava no sonho!) e ficava observando os animais como o Moose e os ursos. Sonhava com Pedro, mas ele estava menor no sonho, uns 9 anos, eu acho. Falei com minha amiga sobre isto e disse que eles estavam menores do que eram nos sonhos, ela me falou: " mais ou menos na idade que voce convivia mais com eles?" e falei: Sim! :)
Com a Tchuca era engracado, ela ficava bem do meu lado o tempo todo, vivendo todas as aventuras comigo, mas sempre repetindo: "Tia e isso?, Tia e aquilo? Tia.. Tia.. " rsrsrs uma fofa!

Quando via as mini micro florzinhas selvagens por todos os lados, lembrava de Evita e aquela foto maravilhosa dela analisando uma flor.
E quando via todos aqueles lagos azul turquesa com aqueles pinheiros atras e enormes montanhas no fundo, pensava: " Hum, Mainha ia adorar estar aqui e pintar um quadro desse!" Dai pensava, mas pra chegar ate aqui, acho que so vindo de helicoptero mesmo :)

Quando olhava os rios, pensava em Lola e em como estava a organizacao para a empresa, com a nova vida. Diferentes fluxos e caminhos.

Em Can eu pensava somente que ela nao estaria ali porque nao ia aquentar a mosquitada e ia ter medo dos raios e trovoes de noite!!! :) rsrrssrsr... mas que ia, com certeza, bater fotos incriveis, em angulos inusitados e eu ia ficar com "inveja" por ela registrar tao bem a beleza das coisas.

E quando via os passaros ou as aguias eu pensava em Bernardo.

Eu sinto muito Amor. Muito Amor pela familia que Deus me deu. Almas tao especiais. Eu me sinto amada, muito amada por voces. Isto eh transpessoal, ou seja, muito alem do convencional. Nao existe barreiras entre eu e voce.

Saudades,
Nana.