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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Síntese da felicidade... - Carlos Drummond de Andrade

Faz tempo, muito tempo que ninguém escreve aqui no blog, inclusive eu! Acho que temos passado muitas horas nos facebooks, instagrams e whatsapps da vida, e nos dado por satisfeitos!! Não mais! Mesmo que ninguém acesse ou leia, firmo o compromisso de postar aqui cotidianamente, como sempre fazia e adorava fazer. Para um novo começo, nada melhor do que um amor já conhecido, por isso, claro, sempre e uma vez mais, Drummond :) .


"Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel...
E muito carinho meu".

segunda-feira, 5 de março de 2012

E um pouco de poesia neste dia - de Cecília Meireles

É preciso não esquecer nada: 

nem a torneira aberta nem o fogo aceso, 

nem o sorriso para os infelizes 

nem a oração de cada instante. 




É preciso não esquecer de ver a nova borboleta 

nem o céu de sempre. 




O que é preciso é esquecer o nosso rosto, 

o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso. 




O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos, 

a idéia de recompensa e de glória. 




O que é preciso é ser como se já não fôssemos, 

vigiados pelos próprios olhos 

severos conosco, pois o resto não nos pertence.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Alma de pescador


A PESCA

Affonso Romano de Sant'Anna


O anil
o anzol
o azul

o silêncio
o tempo
o peixe

a agulha
vertical
mergulha

a água
a linha
a espuma

o tempo
o peixe
o silêncio

a garganta
a âncora
o peixe

a boca
o arranco
o rasgão

aberta a água
aberta a chaga
aberto o anzo

aquelíneo
agil-claro
estabanado

o peixe 
a areia
o sol





terça-feira, 22 de novembro de 2011

UM POUCO DE POESIA - Clarice Lispector

"...Estou em plena luta... Mas olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não termos um ao outro... Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo.
... Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer " pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes se apagar a luz...
Mas eu escapei disso Lori, escapei com a ferocidade com que se escapa da peste e esperarei até você também estar mais pronta."



quarta-feira, 11 de maio de 2011

Sempre Drummond

‎"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade"

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Reflexão




"Se você julga pessoas, você não tem tempo para amá-las"

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Encontros e Despedidas

Hoje, na estrada retornando para Campina Grande, escutei na rádio a música "Encontros e Despedidas", interpretada por Maria Rita, muito conhecida também por ter feito parte da trilha sonora da novela "Duas Caras", da Rede Globo.
Prestei atenção na letra da música e ela se mostrou bem aplicável à situação desses últimos dias, pós-eleições.
Alguns comemoram, outros tanto lastimam. Vitória e derrota. Fazem parte da vida. E são dois lados da mesma viagem, da mesma moeda. Depende do lado em que se está hoje. E sabe-se que amanhã pode ser diferente. Nada é imutável ou eterno. Nem o bem nem o mal. Nem a tristeza nem a alegria.
E viva a democracia !!!

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar

E assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também de despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar

É a vida desse meu lugar
É a vida

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A bela Poesia de Clarice

Rifa-se um coração. Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insistem pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe. Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas, mas que também arranca lágrima se faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para quem quer viver intensamente, contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento. Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer".
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda não foi adotado, provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que, mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar, mas vez por outra, constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e a ter a petulância de se aventurar como poeta.

Clarice Lispector

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Amor.

Com a passagem da Semana Santa, fiquei com vontade de postar algum texto muito bonito, algumas palavras verdadeiramente inspiradoras, e percebi que, na verdade, não há nada que possa ser mais lindo do que a verdade em si, do que aquilo que todos nós comemoramos nesse domingo de Páscoa: o fato de haver um Deus que nos ama profundamente, um Filho que morreu e depois ressuscitou para viver conosco para sempre e um Espírito que nos dá força, orientação e consolo, sempre que precisamos.

Não há nada mesmo que seja tão forte e arrebatador como este Amor, é o maior dom que recebemos nesta vida e é apenas isso que devemos retribuir ao mundo.


"(...) pois a Vida, com todos os seus momentos

[de alegria e tristeza

e esperança, e medo,

é apenas a chance para aprender o Amor

como o Amor pode ser, como foi, e

[como é."

quarta-feira, 24 de março de 2010

Este é também o meu olhar (apesar de toda a miopia)

Um post para iluminar o dia de todos nós, do meu segundo poeta favorito, Fernando Pessoa.




O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…

E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…

Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo

Creio no mundo como um malmequer
Porque o vejo, mas não penso nele
Porque pensar é não compreender

O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia, tenho sentidos...
Se falo na natureza não é porque a amo, amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama.
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência
E a única inocência é não pensar.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

CLARA , CLARA , CLARA , MARIA CLARA

Homenagem ao Poeta

Não sabes, Clara, que pena eu teria se — morena tu fosses em vez de clara! Talvez... quem sabe... não digo... mas refletindo comigo talvez nem tanto te amara! A tua cor é mimosa, brilha mais da face a rosa tem mais graça a boca breve. O teu sorriso é delírio... És alva da cor do lírio, és clara da cor da neve! A morena é predileta, mas a clara é do poeta: assim se pintam arcanjos. Qualquer, encantos encerra, mas a morena é da terra enquanto a clara é dos anjos! Mulher morena é ardente: prende o amante demente nos fios do seu cabelo; — A clara é sempre mais fria, mas dá-me licença um dia que eu vou arder no teu gelo! A cor morena é bonita, mas nada, nada te imita nem mesmo sequer de leve. — O teu sorriso é delírio... És alva da cor do lírio, és clara da cor da neve!

**************Casimiro José Marques de Abreu, nasceu em 1839. Fluminense, era conhecido como "o cantor da saudade". Seu pai, homem de posses, tanto se esforçou para que o filho se dedicasse ao comércio que acabou fazendo-o adoecer. De nada adiantaram os tratamentos de saúde em Portugal e em Friburgo (RJ): o poeta faleceu em 16/10/1860. Publicou um único livro, "Primaveras", em 1859. O texto acima foi extraído da antologia "Humor e Humorismo — Poesias e Versos e Paródias de Poemas Famosos", Editora Brasiliense - 1961, pág. 101, organização de Idel Becker.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Saber Viver

Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós
mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocarmos o coração das pessoas...

Muitas vezes basta ser : colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olha que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo. É o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura... enquanto durar.

(Atribuído a Cora Coralina)

domingo, 15 de novembro de 2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Post singelo e feliz





E assim acaba o mês de agosto, que por convenção/superstição, é conhecido como o mês do desgosto. Mas em agosto também teve coisa boa - aniversário, nascimentos, comemoração, reconciliação, volta pra casa, viagem. E os desgostos, infelizmente, sempre podem vir a qualquer tempo. E isso também pouco importa, porque haja o que houver, estejamos nessa vida a passeio, a trabalho ou ao léu, todos nós nascemos predestinados à felicidade. Esta é nossa única e verdadeira vocação!!



segunda-feira, 25 de maio de 2009

Quem não quer ser eterno?!

As coisas de que gostamos dizem muito mais sobre nós do que nós mesmos, por isso meu primeiro post é um trecho de uma poesia de Drummond, linda!


ETERNO

(...) Eternalidade eternite eternaltivamente
eternuávamos
eternissíssimo
A cada instante se criam novas categorias do eterno
Eterna é a flor que se fana
se soube florir
é o menino recém-nascido
antes que lhe dêem nome
e lhe comuniquem o sentimento do efêmero
é o gesto de enlaçar e beijar
na visita do amor às almas
eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo
mas com tamanha intensidade que se petrifica e
nenhuma força o resgata
é minha mãe em mim que a estou pensando
de tanto que perdi de não pensá-la
é o que se pensa em nós se estamos loucos
é tudo que passou, porque passou
é tudo que não passa, pois não houve
eternas as palavras, eternos os pensamentos; e pas-
sageiras as obras. (...)