Pra terminar, a festa de Felipe que teve como tema "Mickey no Safari". Tudo estava perfeito e não tinha como ser diferente, afinal de contas dona Mônica (a avó do aniversariante) vinha cuidando de cada detalhe há muitos meses, vocês não tem idéia do cuidado e carinho com que ela pensou e executou tudo!! A mesa de pallets mais uma vez foi o centro da decoração, muitos tecidos com motivos animais, muitos animais selvagens de pelúcia conseguidos às custas da compra de muito leite Ninho, chapéus de explorador, bolo cenográfico, jipes de madeira, enfeites e caixinhas da Berinjela e os doces e o buffet da Canelle que não economizou na qualidade e na beleza de tudo que foi servido.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
terça-feira, 25 de outubro de 2011
sábado, 22 de outubro de 2011
Deus é foda!

Não entendam errado, mas, meu amigo, DEUS é FODA!!!!!!!!! Só tem Jesus e cace outro! Obrigado, Meu Senhor e Meu Deus, por toda minha família linda, pelo pão de cada dia, por minha namorada, por minha Igreja, por minha Universidade, por meus amigos queridos, pelo meu padre, pelos meus problemas e pelas provações, pelo meu lar, por me amar, me perdoar e me abençoar! O Senhor é tampa!
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Ser emotivo

"A emoção é a discipina rebelde do meu espírito. Só sei dirigir-me por ela! Não saberia nunca conduzir meu raciocínio abstraindo tristezas e ansiedades, moldando uma linguagem que, não sendo espontânea, não estaria em paz com os meus pensamentos. Só liberto dos lábios as palavras prisioneiras do coração!" (Raimundo Asfora) É ora uma virtude, ora um defeito...mas sou assim, feliz ou infelizmente, em todas as horas.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Crise de tenra idade
Estava vendo umas fotos no computador, quando João chegou e logo se interessou em olhar também. Eram fotos de um ano e meio atrás e entre elas, tinham alguns vídeos dele brincando com uma boneca da Tchuca que ele adorava. No vídeo, ele aparece segurando a boneca como se fosse um bebê, mostrando seu quarto, fazendo gracinhas, e ele assistindo a tudo, ao meu lado, bem concentrado, sem falar nada. Quando terminou, ele saiu correndo e começou a chorar dizendo que ainda era bebê, que queria uma chupeta e seu bercinho de volta, que não gostava da cama. Ele chorou muito e ficava repetindo que era um bebêzinho. Eu falando que agora ele já tinha crescido um pouquinho e era um bebê grande, e ele muito bravo dizendo "bebê grande não, bebê pequeno!" Nos poucos minutos da gravação, ele percebeu como havia mudado, como aquela imagem e comportamento de um ano e meio atrás não se encaixavam mais nele, e instintivamente percebeu que ficar mais velho não é muito legal. Tem gente que precisa de muita terapia pra encarar isso, outros compreendem naturalmente, mas João teve que chorar por um instante e depois ser reconfortado no meu colo para, enfim, aceitar o fato.
sábado, 8 de outubro de 2011
As crianças de hoje...
Do meu irmãozinho de 9 anos, Janjão, na hora do almoço, em tom desafiador: "Dudu, eu DUVIDO que tu saiba o que é 'sine qua non'!!" Aí eu tomo um susto, né? Eu só aprendi isso no 2º semestre de Direito, e o pirralho me vem com essa no 4º ano do fundamental. Mas respondi, claro, pra mostrar que irmão mais velho sabe tudo: "Imprescindível, necessário, indispensável, sem a qual não", do que a face de Janjão fica transfigurada, tamanha a indignação, porque não esperava que alguém soubesse: "Oxe, como é que tu sabe?!?!?! Tu escutou eu dizendo a papai, né?!" Mais indignado fiquei eu...mexeu com meus brios, né? "Eu aprendi na Universidade, Janjão, isso se usa em Direito e é em latim". "AH! Eu aprendi no colégio, minha tia me ensinou hoje" Bom... passei o dia em estado de choque, me sentindo inferior, ultrapassado, quase que desmoralizado com a esperteza do meu gordinho...Todo dia é uma pérola nova!

Os dois, Txuca e Janjão, têm a cara da esperteza e da perspicácia!

Os dois, Txuca e Janjão, têm a cara da esperteza e da perspicácia!
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Amélia que era mulher de verdade...
Juro que está difícil de entender essa polêmica em relação ao comercial da Hope com Gisele Bundchen.
O que passa na cabeça dessas mulheres ditas "feministas" da Secretaria Política das Mulheres que consideram que a campanha não promove os direitos igualitários entre homens e mulheres?
Na sua criação no século 19, o movimento feminista consistia num amálgama de idéias políticas, filosóficas e sociais que buscava promover os direitos das mulheres e seus interesses dentro de um contexto social.
Naquela época e mais recentemente na primeira metade do século 20, capitaneados pela incrível Simone de Beauvoir (esta inspirada pelos ideais de Sartre) - as mulheres tinham orgulho de ser mulheres e sentiam mais orgulho ainda do seu corpo e da sua sexualidade.
O que acontece agora, em pleno século 21, com essas feministas antiquadas e recalcadas que lutam contra o desejo masculino e pior...contra o próprio desejo de serem desejadas?
Eu sinceramente achei o comercial leve, engraçado, quase cõmico. Resta saber o que vai julgar o Conar*.
* Órgão de auto-regulamentação dos publicitários
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Fetiche de Star
O anúncio da Hope que irritou a Secretaria de Políticas para Mulheres consagra Gisele Bündchen no papel de mulherzinha que vem marcando sua carreira de garota-propaganda.
Lembra dela limpando o chão no comercial da Sky?
Vai ver é o prazer dela, né?
Coisa de loura!
Deixa ela, ué!
Lembra dela limpando o chão no comercial da Sky?
Vai ver é o prazer dela, né?
Coisa de loura!
Deixa ela, ué!
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Como escrever , segundo Graciliano Ramos
“Quem escreve deve ter todo cuidado para a coisa não sair molhada. Quero dizer que da página que foi escrita não deve pingar nenhuma palavra, a não ser as desnecessárias. É como pano lavado que se estira no varal. Naquela maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício.
Elas começam com uma primeira lava. Molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Depois colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão.
Depois batem o pano na laje ou na pedra limpa e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.
Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso, a palavra foi feita para dizer”.
Elas começam com uma primeira lava. Molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Depois colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão.
Depois batem o pano na laje ou na pedra limpa e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.
Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso, a palavra foi feita para dizer”.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Nesses tempos de ' Rock in Rio ' ( eca ! ... )
No contraponto ao lixo do ' Rock in Rio ' ( por que não acabam isso ? ), faço o registro de duas interpretações de classe , estilo e bom gosto ; disponíveis no You Tube. A primeira , Amy Winehouse em dueto com Tony Bennet , em versão superdescolada de 'Body and Soul ' ; a segunda , Wilson Simonal acompanhado de Tom Jobim e Menescal, na versão de ' Ana Luiza ',letra e música do próprio Tom Jobim .
domingo, 25 de setembro de 2011
Presente de Aniversario

Este mes tive a mais incrivel experiencia da minha vida trabalhando outdoor.
Eu tive um encontro com um "Mountain Lion". Tambem conhecido na America do Sul como Puma.
Estava em Black Hills, no estado de South Dakota, USA. Estava trabalhando em um curso de escalada e estavamos acampados em uma floresta de "pines" (pinheiros). O acampamento dos instrutores era um pouco afastado do acampamento dos alunos.
O lugar eh maravilhoso. Celebramos meu aniversario por la. O grupo acendeu uma fogueira a noite, fizeram um bolo para mim com cobertura de iogurte e morangos.
2 dias depois meu "presente de aniversario" chegou.
Os outros instrutores ainda nao tinha chegado no acampamento. E eu ja tinha terminado de escalar com meu grupo e fui cozinhar na nossa "cozinha". Estava sozinha no acampamento de instrutores. Dai, terminei de organizar nossa cozinha e me deu aquela vontade de ir ao "banheiro" :).. peguei a pazinha e fui caminhar na floresta. Estava me sentindo muito relaxada, apreciando a vegetacao e a luz (era quase por-do-sol). De repente, eu nao sei porque, eu levantei minha cabeca e la estava o animal. Sentado, muito tranquilo, olhando para mim. Minha primeira reacao foi" ops!" Mas para o mountain lion, parecia que tudo estava normal. Foi uma sensacao de que eu estava entrando na casa de alguem por engano, mas que o dono estava tranquilao no sofa esperando eu falar o que eu queria ali. Foi mega esquisito!
Entao milhoes de pensamentos vieram na minha cabeca. Estava em um curso, alunos estavam ali na area. Eu sei os protocolos de seguranca caso encontre um urso ou onca. Fiquei pensando se fazia barulho e todas aquelas coisas para parecer maior e espantar o animal. Mas, eu nao fiz. :)
O animal nao me parecia nada assustador. Eu que estava assustada. Meu coracao parecia que ia pular para fora do meu corpo. tentei controlar minha respiracao o maximo que pude. E decidi que ia ficar absorvendo daquela experiencia o maximo de aprendizado que eu pudesse. Nao perdemos contato visual por um segundo sequer.
Quando meus pensamentos pararam e quando eu pude controlar meus batimentos cardiacos, eu comecei a sentir a energia do animal. E dai eu comecei a me sentir tao menor. O poder que ele emanava era tao grandioso, tao intenso. Ele estava sentado, olhando fixamente para mim, super relaxado. Eu em pe, olhando fixamente para ele, ansiosa. Eu nao acreditava no estava vivendo!.. tentei ouvir/sentir a respiracao dele, mas ele estava incrivelmente quieto!. Comecei a me sentir um pouco contrangida por constatar que minha energia estava tao diferente da dele. Desejei estar no lugar dele. Mas tambem vi o quanto somos iguais.
Foi incrivel. E absurdamente louco o tempo que permanecemos ali. Eu estimo que tudo durou uns 10 minutos, mas minha impressao eh que, se eu nao fizesse nada, poderia ficar ali uns 30 ou sei la quanto tempo!
Pessoas que eu comente me falaram que isto eh muito louco. Mountain Lions sao muito dificeis de se ver. Se voce ver uma vez na vida pode se considerar uma pessoa de sorte, eles nao costumam permitir serem vistos. Mas 10 minutos "hanging out" com um "mountain lion" eh quase surreal!! :)))
Entao os carros chegaram, com eles o barulho do motor. O animal permanecia imutavel. Instrutores e outros alunos saindo e falando muito alto e o animal nada de se mexer. Tudo parecia indiferente. Ou que nada estava acontecendo.
Ok, ja fazia muito tempo e eu nao tinha ideia o que podia acontecer. Entao decidi me mexer pela primeira vez. Eu dei um passo para traz e tudo bem. Dei meu segundo passo para traz e o animal, ainda sentado, esticou o pescoco tentando entender o que eu estava fazendo. Ai foi meu segundo: "ops!". Parei por uns minutos e entao repedi meu procedimento nao muito segura no que ia dar. e de novo, no segundo passo para traz, o mouintain lion esticou mais ainda o pescoco e levantou as patas da frente. Ele estava muito muito curioso. nesta hora eu dei uma gelada.
As pessoas estavam comecando a fazer menos barulho e eu entao decidi chamar meu co-instrutor: ANDY!!! ninguem escutou e o mountain lion nem se mexeu. ANDY!! as pessoas pararam de falar. ANDY!!! comecaram a perguntar onde eu estava e o que estava acontecendo. ANDY!!! vieram me procurar. ANDY!!! somente quando gritei pela quinta vez e 2 instrutores estavam a caminho, o animal se levantou e comecou a sair devagar, bem sossegado.
Os outros 2 instrutores ainda tiveram tempo de ver o animal saindo. enorme e lindo!!! :)
Nunca vou esquecer este encontro. Muito intenso.
beijos com muitas saudades,
Nana
A Árvore da Vida
Na última sexta-feira, fui animada ao cinema assistir a este filme e, mais uma vez, chego à conclusão de que sinopses de filmes são feitas exatamente para serem lidas antes de comprar os ingressos. Bom, se eu tivesse lido a sinopse a seguir, iria pelo menos preparada:
"Vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes o filme aproxima o foco na relação entre pai e filho de uma família comum e expande a ótica desta rica relação ao longo dos séculos desde o Big Bang até o fim dos tempos em uma fabulosa viagem pela história da vida e seus mistérios que culmina na busca pelo amor altruísta e o perdão."
O filme realmente tinha tudo para ser bom: Brad Pitt, Sean Penn e uma atriz linda que eu nunca tinha visto (Jessica Chastain) nos papéis principais; citações bíblicas, lindas imagens familiares e uma história comovente. Só que no meio de tudo isso, tem momentos intermináveis de imagens dignas do Discovery Channel. Você não sabe se fumou, dormiu e perdeu alguma coisa ou simplesmente não está entendendo. Algumas pessoas riam, outras reclamavam e outras ainda fingiam estar compreendendo tudo. O filme até consegue suscitar reflexões bem profundas, quando mostra como cada pessoa da família é afetada e sofre por causa do mesmo acontecimento traumático, mas em algum ponto, perde o fio da meada. Tenta de forma frustrada agradar a gregos e a troianos, ou melhor, a ateus e cristãos. E todos nós sabemos que isso é uma tarefa impossível, acho que aí está a sua grande falha, não adentra profundamente em nenhuma das realidades possíveis diante de um grande sofrimento.
sábado, 24 de setembro de 2011
Mais um dia feliz !!
Hoje foi o grande dia da SACC (semana de arte, cultura e ciência) desse ano e às oito da manhã, eu já estava na escola com Clara e João. Os trabalhos da classe dela estavam lindos, e as apresentações, ótimas. O trabalho de Clara era sobre as artêmias, e eu confesso que até hoje eu nunca tinha ouvido falar delas! O tema geral era meio ambiente, e o enfoque foi sobre a preservação das espécies animais, João adorou, parecia até que estava em um museu de história natural, olhava tudo admirado rsrs!!
De tarde, logo depois do almoço, voltamos novamente, desta vez para as apresentações de Pedro e João. João dançou fantasiado de índio e na fase Mogli-Tarzan-Simba em que ele está, sentiu-se totalmente integrado ao tema de floresta e animais. A apresentação de Pedro também foi bem legal, sobre anabolizantes e suplementos alimentares.Acho que eu me empolgo mais do que eles, é que sinto uma saudade enorme dos meus tempos de colégio, eu era fascinada por trabalhos de ciências e olha que na minha época não era tudo tão organizado e caprichado como agora, digo sempre a eles que o Motiva é o colégio em que sempre sonhei estudar.
![]() |
| João todo feliz de índio e no final da apresentação com a mudinha que plantou; Pedro e seu grupo muito animado. |
No fim da tarde, ainda deu tempo de dar um pulinho na praia com João e Kinda (viu, Nana, agora sempre que podemos a levamos para passear!!). Ela está super comportada, fica na praia sem coleira e não sai de perto da gente, uma mocinha rsrs!! Não tem dinheiro que pague momentos como esse, em que o tempo anda devagar, e a gente precisa apenas das coisas mais simples para sentir-se feliz.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Na cidade sem meu carro, é difícil!!
João Pessoa está participando hoje da jornada mundial "Na cidade sem meu carro", um movimento internacional em defesa do meio ambiente e da qualidade de vida que teve início na França e se espalhou por diversas cidades do mundo. Tem o objetivo de sensibilizar as pessoas para que usem meios de transporte mais sustentáveis (ônibus, bicicleta) ou ainda que, neste dia, os motoristas de carros particulares ofereçam carona e diminuam a quantidade de veículos circulando; tudo isso para proporcionar cidades mais saudáveis, com mais acessibilidade e menos poluição, diminuição dos congestionamentos e ainda menor estresse da população em geral.
Sem dúvida, é uma iniciativa louvável, mas que na prática é um tanto complicada. Imaginem a confusão de várias avenidas importantes da cidade fechadas para a circulação de carros em pleno dia de trabalho ! Fico pensando que quem bolou esse movimento com certeza não tem filhos para levar à escola ou se tem, mora vizinho ao colégio! De toda forma, farei a minha parte e vou contribuir com o movimento dando carona aos amigos de Pedro na volta da escola e levando-os no fim da tarde para a semana de arte, cultura e ciência. Já é um começo !!
Viva João Cabral de Melo Neto
O fogo no canavial - João Cabral de Melo Neto
A imagem mais viva do inferno.
Eis o fogo em todos seus vícios:
eis a ópera, o ódio, o energúmeno,
a voz rouca de fera em cio.
E contagioso, como outrora
foi, e hoje, não é mais, o inferno:
ele se catapulta, exporta,
em brulotes de curso aéreo,
em petardos que se disparam
sem pontaria, intransitivos;
mas que queimada a palha dormem,
bêbados, curtindo seu litro.
(O inferno foi fogo de vista,
ou de palha, queimou as saias:
deixou nua a perna da cana,
despiu-a, mas sem deflorá-la.)
João Cabral de Melo Neto (Recife, 9 de janeiro de 1920 - Rio de Janeiro, 9 de outubro de 1999) - Além de poeta, foi um diplomata brasileiro. Classificado como poeta da geração 45, terceira geração do modernismo, foi agraciado com diversos prêmios ao longo de sua carreira de escritor. Foi membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Pernambucana de Letras.
A imagem mais viva do inferno.
Eis o fogo em todos seus vícios:
eis a ópera, o ódio, o energúmeno,
a voz rouca de fera em cio.
E contagioso, como outrora
foi, e hoje, não é mais, o inferno:
ele se catapulta, exporta,
em brulotes de curso aéreo,
em petardos que se disparam
sem pontaria, intransitivos;
mas que queimada a palha dormem,
bêbados, curtindo seu litro.
(O inferno foi fogo de vista,
ou de palha, queimou as saias:
deixou nua a perna da cana,
despiu-a, mas sem deflorá-la.)
João Cabral de Melo Neto (Recife, 9 de janeiro de 1920 - Rio de Janeiro, 9 de outubro de 1999) - Além de poeta, foi um diplomata brasileiro. Classificado como poeta da geração 45, terceira geração do modernismo, foi agraciado com diversos prêmios ao longo de sua carreira de escritor. Foi membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Pernambucana de Letras.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Olhar para ver
Acho que já aconteceu com vocês algumas vezes, sabem como é quando a gente ouve muitas vezes uma coisa, mas chega um dia em que a gente realmente escuta e entende o que aquilo queria dizer; depois de tanto olhar, você finalmente enxerga... Estou passando por muitos momentos como esses, estou numa fase de perceber as coisas se encaixarem, de descobrir a razão de ser, de colher alguns frutos que eu até já havia esquecido de tê-los plantados. Uma fase de respostas, de crescimento espiritual e mais do que nunca de muita paz. Sei que não estou sendo muito objetiva no que quero dizer, mas é que no fundo são sentimentos que só fazem sentido a quem os sente. 

Para viver satisfeito com pequenos meios, para procurar elegância ao invés de luxo, e requinte ao invés de moda, para ser digno, não respeitável, e abastado, não rico. Para ouvir as estrelas e os pássaros, bebês e sábios, com o coração aberto. Para estudar muito, pensar em silêncio, agir com franqueza, falar suavemente, aguardar ocasiões, nunca ter pressa, em uma palavra, deixar o espiritual, espontânea e inconscientemente, crescer através do comum - esta é a minha sinfonia.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Cultura às quartas
Explicação do fato parte II - Torquato Neto
Também tenho uma noite em mim tão escura
que nela me confundo e paro
e em adágio cantabile pronuncio
as palavras da nênia ao meu defunto,
perdido nele, o ar sombrio.
(Me reconheço nele e me apavoro)
Me reconheço nele,
não os olhos cerrados, a boca falando cheia,
as mãos cruzadas em definitivo estado, se enxergando,
mas um calor de cegueira que se exala dele
e pronto: ele sou eu,
peixe boi devolvido à praia, morto,
exposto à vigilância dos passantes.
Ali me enxergo, à força no caixão do mundo
sem arabescos e sem flores.
Tenho muito medo.
Mas acordo e a máquina me engole.
E sou apenas um homem caminhando
e não encontro em minha vestimenta
bolsos para esconder as mãos, armas, que, mesmo frágeis,
me ameaçam.
Como não ter medo?
Uma noite escura sai de mim e vem descer aqui
sobre esta noite maior e sem fantasmas.
como não morrer de medo se esta noite é fera
e dentro dela eu também sou fera e me confundo nela e
ainda insisto?
Não é viável.
Nem eu mesmo sou viável, e como não? Não sou.
O que é viável não existe, passou há muito tempo
e eram manhãs e tardes e manhãs com sol e chuva
e eu menino.
eram manhãs e tardes e manhãs sem pernas
que escorriam em tardes e manhãs sem pernas
e eu sentado num tanque absurdamente posto no meio da rua,
menino sentado sem a preocupação da ida.
E era todo dia.
Havia sol
e eu o sabia
sol: era de dia
Havia uma alegria
do tamanho do mundo
e era dia no mundo.
Havia uma rua
(debaixo dum dia)
e um tanque.
Mas agora é noite até no sol.
Torquato Pereira de Araújo Neto (Teresina, Piauí, 9 de novembro de 1944 - Rio de Janeiro, 10 de novembro de 1972). Poeta, letrista e crítico de música, foi figura essencial na efervescência cultural dos anos 60. Foi nome e porta-voz do Tropicalismo, da poesia Concreta e da música brasileira naquela época. Escrevia crítica de música para o Geléia Geral.
NOTA
Torquato Neto foi dos poetas essenciais para a minha formação política e humanística , a exemplo de Thiago de Melo , Vinicius de Moraes , Carlos Drummond de Andrade , João Cabral de Mello Neto , Manuel Bandeira e Fernando Pessoa , dentre muitos que se inseriram no contexto de fazer literatuta/poesia comprometida com o Homem em toda a sua plenitude cósmica ( Carlos Candeia ).
Também tenho uma noite em mim tão escura
que nela me confundo e paro
e em adágio cantabile pronuncio
as palavras da nênia ao meu defunto,
perdido nele, o ar sombrio.
(Me reconheço nele e me apavoro)
Me reconheço nele,
não os olhos cerrados, a boca falando cheia,
as mãos cruzadas em definitivo estado, se enxergando,
mas um calor de cegueira que se exala dele
e pronto: ele sou eu,
peixe boi devolvido à praia, morto,
exposto à vigilância dos passantes.
Ali me enxergo, à força no caixão do mundo
sem arabescos e sem flores.
Tenho muito medo.
Mas acordo e a máquina me engole.
E sou apenas um homem caminhando
e não encontro em minha vestimenta
bolsos para esconder as mãos, armas, que, mesmo frágeis,
me ameaçam.
Como não ter medo?
Uma noite escura sai de mim e vem descer aqui
sobre esta noite maior e sem fantasmas.
como não morrer de medo se esta noite é fera
e dentro dela eu também sou fera e me confundo nela e
ainda insisto?
Não é viável.
Nem eu mesmo sou viável, e como não? Não sou.
O que é viável não existe, passou há muito tempo
e eram manhãs e tardes e manhãs com sol e chuva
e eu menino.
eram manhãs e tardes e manhãs sem pernas
que escorriam em tardes e manhãs sem pernas
e eu sentado num tanque absurdamente posto no meio da rua,
menino sentado sem a preocupação da ida.
E era todo dia.
Havia sol
e eu o sabia
sol: era de dia
Havia uma alegria
do tamanho do mundo
e era dia no mundo.
Havia uma rua
(debaixo dum dia)
e um tanque.
Mas agora é noite até no sol.
Torquato Pereira de Araújo Neto (Teresina, Piauí, 9 de novembro de 1944 - Rio de Janeiro, 10 de novembro de 1972). Poeta, letrista e crítico de música, foi figura essencial na efervescência cultural dos anos 60. Foi nome e porta-voz do Tropicalismo, da poesia Concreta e da música brasileira naquela época. Escrevia crítica de música para o Geléia Geral.
NOTA
Torquato Neto foi dos poetas essenciais para a minha formação política e humanística , a exemplo de Thiago de Melo , Vinicius de Moraes , Carlos Drummond de Andrade , João Cabral de Mello Neto , Manuel Bandeira e Fernando Pessoa , dentre muitos que se inseriram no contexto de fazer literatuta/poesia comprometida com o Homem em toda a sua plenitude cósmica ( Carlos Candeia ).
terça-feira, 13 de setembro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Cultura inútil para começar a semana
O que é um Loop
“Loop” (pronuncia-se “lúp”), é uma palavrinha inglesa muito apreciada pelo pessoal da música eletrônica e pelo da informática. Um loop é algo como um laço, uma linha que dá uma volta completa e emenda no começo. Em música, loop é uma série de notas ou efeitos sonoros que, quando chega ao fim, começa outra vez, insistentemente. Na informática, é um processo que não acaba nunca e deixa o usuário do computador olhando, impaciente, aquela ampulhetazinha no lugar do cursor, tão exasperante quanto sinal de linha telefônica ocupada. E alguém divulgou na Web a historieta abaixo para explicar o que está acontecendo.
1) O Diretor chama a secretária e avisa que vão viajar a trabalho por uma semana. 2) A Secretária liga para o marido e avisa que vai passar uma semana fora. 3) O Marido liga para a amante e diz que terão uma semana inteira para ficar juntos. 4) A Amante liga para o aluno a quem dá aulas particulares e pede licença por uma semana. 5) O Aluno liga para o avô e diz que terá uma semana sem aulas, e poderão fazer algum programa juntos. 6) O Avô, que é o mesmo Diretor do início da história, chama a Secretária e manda cancelar a viagem, pois deseja ficar com o neto, que não vê há um ano. 7) A Secretária liga para o marido: a viagem foi cancelada. 8) O Marido liga para a amante: não terão mais uma semana inteira para ficar juntos. 9) A Amante liga para o aluno: não vai mais tirar licença, e os dois deverão ter aulas normalmente. 10) O Aluno liga para o avô: não podem mais se encontrar porque ele afinal vai ter uma semana de aulas. 11) O Avô, que é o mesmo Diretor, liga para a secretária: já que não poderá ficar com o netinho, é melhor confirmar de novo a viagem... E tudo recomeça.
Isto é um loop. Os personagens cruciais da história são o Diretor, que é o Começo, e o Netinho, que é o Fim. Se fossem personagens não relacionados, a história fluiria normalmente. Acontece que o Fim se relaciona com o Começo e lhe envia uma mensagem que reverte o comando inicial. Se esse loop ficar rodando, os personagens ficarão irritados com tantas mudanças de planos, pois nenhum tem a visão geral do que está acontecendo. Os programas de computador têm sub-rotinas (ou sei lá como as chamam) que acompanham todos os passos e percebem quando há um elemento contraditório (o Diretor quer viajar mas o Avô não quer, e os dois são a mesma pessoa). Enquanto isso não for resolvido a cadeia de comandos ficará paralisada, rodando sem sair do canto. Tem que haver uma vigilância de fora, que enxergue todo o processo e perceba onde está o ponto onde ele se volta sobre si mesmo e manda reverter tudo que tinha sido ordenado antes.
“Loop” (pronuncia-se “lúp”), é uma palavrinha inglesa muito apreciada pelo pessoal da música eletrônica e pelo da informática. Um loop é algo como um laço, uma linha que dá uma volta completa e emenda no começo. Em música, loop é uma série de notas ou efeitos sonoros que, quando chega ao fim, começa outra vez, insistentemente. Na informática, é um processo que não acaba nunca e deixa o usuário do computador olhando, impaciente, aquela ampulhetazinha no lugar do cursor, tão exasperante quanto sinal de linha telefônica ocupada. E alguém divulgou na Web a historieta abaixo para explicar o que está acontecendo.
1) O Diretor chama a secretária e avisa que vão viajar a trabalho por uma semana. 2) A Secretária liga para o marido e avisa que vai passar uma semana fora. 3) O Marido liga para a amante e diz que terão uma semana inteira para ficar juntos. 4) A Amante liga para o aluno a quem dá aulas particulares e pede licença por uma semana. 5) O Aluno liga para o avô e diz que terá uma semana sem aulas, e poderão fazer algum programa juntos. 6) O Avô, que é o mesmo Diretor do início da história, chama a Secretária e manda cancelar a viagem, pois deseja ficar com o neto, que não vê há um ano. 7) A Secretária liga para o marido: a viagem foi cancelada. 8) O Marido liga para a amante: não terão mais uma semana inteira para ficar juntos. 9) A Amante liga para o aluno: não vai mais tirar licença, e os dois deverão ter aulas normalmente. 10) O Aluno liga para o avô: não podem mais se encontrar porque ele afinal vai ter uma semana de aulas. 11) O Avô, que é o mesmo Diretor, liga para a secretária: já que não poderá ficar com o netinho, é melhor confirmar de novo a viagem... E tudo recomeça.
Isto é um loop. Os personagens cruciais da história são o Diretor, que é o Começo, e o Netinho, que é o Fim. Se fossem personagens não relacionados, a história fluiria normalmente. Acontece que o Fim se relaciona com o Começo e lhe envia uma mensagem que reverte o comando inicial. Se esse loop ficar rodando, os personagens ficarão irritados com tantas mudanças de planos, pois nenhum tem a visão geral do que está acontecendo. Os programas de computador têm sub-rotinas (ou sei lá como as chamam) que acompanham todos os passos e percebem quando há um elemento contraditório (o Diretor quer viajar mas o Avô não quer, e os dois são a mesma pessoa). Enquanto isso não for resolvido a cadeia de comandos ficará paralisada, rodando sem sair do canto. Tem que haver uma vigilância de fora, que enxergue todo o processo e perceba onde está o ponto onde ele se volta sobre si mesmo e manda reverter tudo que tinha sido ordenado antes.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
A alimentação pelo mundo (fonte: deluco.blogspot.com)
A alimentação pelo mundo
Viver tem o seu custo. Ter uma família, poder educar os filhos, planejar a prole, oferecer assistência médica e odontológica.
Esqueçamos isso tudo. Vamos nos concentrar apenas na alimentação. O principal para a subexistência. Parece simples mas é praticamente impossível pensar no básico sem dissociar de bem estar e saúde, ou distiguir o supérfluo do necessário. Riqueza e poder de compra são elementos tão básicos para a vida, que vão além das necessidades diárias de calorias e proteínas. Só visualizando para se compreender. O ensaio abaixo é apenas um exemplo, e também uma maneira de se imaginar como serão os desafios para o mundo quando todos os países forem atingindo graus elevados de desenvolvimento. A China com 1 bilhão e meio de consumidores, prestes a se tornar a Alemanha do futuro em termos de comida. E água para toda essa gente, será que vamos conseguir?
Atentem para o tamanho da prole, a dieta alimentar, a disponibilidade de alimentos e a despesa em dólares, para uma família típica de cada país em 1 semana.
Despesa com alimentação em 1 semana: $341.98 dolares
3 - Italia: Família Manzo da Secília
Despesa com alimentação em 1 semana: 214.36 Euros / $260.11 dolares
4 - México: Família Casales de Cuernavaca
Despesa com alimentação em 1 semana: 1,862.78 Pesos / $189.09 dólares
5 - Polónia: Família Sobczynscy de Konstancin-Jeziorna
Despesa com alimentação em 1 semana: 582.48 Zlotys / $151.27 dólares
6 - Egito: Família Ahmed do Cairo
Despesa com alimentação em 1 semana: 387.85 Egyptian Pounds / $68.53 dólares
7 - Equador: Família Ayme de Tingo
Despesa com alimentação em 1 semana: $31.55 dólares
8 - Butão: Família Namgay da vila de Shingkhey
Despesa com alimentação em 1 semana: 224.93 ngultrum / $5.03 dólares
9 - Chade: Família Aboubakar do campo de refugiados de Breidjing
Despesa com alimentação por semana: 685 Francos / $1.23 dólares
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