Oi!
Ainda nos EUA , agora na Califórnia, para curtir apenas escalada e não mais caminhada! :) Foram 71 em campo somente este verão no Alaska, acampando, cozinhando, ensinando liderança, gerenciando riscos em glaciares, terreno inclinado, cruzando rios, vara-matos, mosquitos, ursos, caribous, etc... uau! no final estava cansada. Certamente este é um trabalho de muita responsabilidade e que exige uma atenção surreal!.
Mas, o Alaska é mesmo sensacional e eu cresci MUITO aqui, como instrutora. Foi realmente hardcore! Vou escrever aqui abaixo o sumário do último curso que trabalhei. Foi um dos melhores cursos que já trabalhei, por vários motivos: um deles é porque eu planejei a rota junto com o outro instrutor, somente olhando o mapa de um lugar no meio do nada no Wranglles National Park (o maior parque dos USA). Este aspecto foi extremamente motivador, decidimos juntos o que queríamos fazer de acordo com nossa habilidade e competência de manejar os alunos nos diferentes tipos de terreno.
Outro aspecto importante foi que, neste curso, tinha um novo instrutor, ou seja, seu primeiro curso com NOLS. Isto implicou que minha liderança fosse muito mais forte. Pois tínhamos alguém sem experiência, que tinha dificuldades em tomar as decisões mais importantes no curso.
E um terceiro aspecto foi que o curso (como vocês vão ler no sumário abaixo), foi cheio de incertezas, situações que se apresentavam na nossa frente, mas que não sabíamos se íamos conseguir realizar ou não. Mas com muta competencia, paciência e tolerancia à adversidade, realizamos o curso que planejamos!.. veja aí (é uma tradução do inglês, então fica meio estranho ..rsrsrs):
"Este 28 dias NOLS Alaska Wilderness Course fez uma longa travessia ao redor da parte norte do Wrangell Mouintain, saindo da floresta para os platôs de tundra e viajando por sérios terrenos montanhosos incluindo um "dry glacier" (andar sobre gelo do glaciar, sem a neve) e cruze de rios difíceis. A rota começou e terminou no Sportsman's Paradise Lodge na Nabesna Road. Nós seguimos por dois dias a estrada deteriorada até a Nabesna mina (de ouro) abandonada, então começamos o "off-trail" parte da rota com várias milhas de muita dificuldade no vara-mato. Este também foi o começo dos 4 agitados dias involvendo duas evacuações (saídas de alunos do curso) por causa de traumas no tornozelo e outra no pé; um grupo de "hiking" (o novo instrutor com 5 alunos) separado do resto do grupo por 2 dias, devido à dificuldade do terreno (ele não conseguiu chegar onde estávamos por dois dias); o pior clima (weather) que tivemos durante todo o curso e, o scouting (procura), aparentemente sem esperança, do cruze do Rio Jacksina, no seu nível mais alto em 30 anos. Depois de receber nossa primeira re-ration (remessa de comida) em uma pista de aterrisagem apressadamente construída na margem do rio, nós fizemos a última tentativa de cruzar o "Jacksina River". Paciência, sorte e determinação estiveram presentes na medida em que o rio baixou e permitiu que nós o cruzássemos, ainda com grande dificuldade, depois de 4 dias de espera e 13 horas de "scouting".
Felizes de termos passado nosso primeiro maior obstáculo, nós escalamos 1.100 metros de uma montanha muito inclinada, com pedras soltas sob neblina em direção aos "high plateaus". Muitos dias caminhando nas partes mais altas do lugar nos levaram até a base do "Mount Gordon", um pico de 3.000 metros, o qual foi possível escalar sob rochas e neve em um dia ensolarado, apreciando as paisagens espetaculares do Wrangells-St.Elias Park (somente um pequeno grupo de alunos e 2 instrutores fizeram esta escalada, claro que eu estava lá! ). A rota continuou até a base dos "Ice Fields Plateau" (campo de gelo), um terreno relativamente plano, coberto de gelo, no qual nós caminhamos por 5 quilometros sobre o gelo, "navegando" através da neblina e ao redor de pequenas áreas cobertas de neve. Nós chegamos em um vale lindo onde tinha uma cabana. Lá nós tivemos nossa segunda "re-ration" (remessa de comida), em uma pista de aterrisagem à 2,500 metros de altitude. Naquele ponto do curso, bem atrás de nossa programação (por causa dos atrasos: grupo separado por dois dias, 4 dias para cruzar o rio e as duas evacuações), nós fomos em direção à Jackina Glacier (glaciar Jacksina, de onde derrete toda o gelo que "abastece" e começa o Rio Jacksina). Caminhando aos pés dos massivas montanhas de glaciares (cobertas de gelo e neve) lidamos com mais dois rios muito grandes ao longo do caminho, um dos quais nós cruzamos bem cedo da manhã, quando o nível da água está baixo (parte ainda está congelada); e o outro nós cruzamos por cima de uma milagrosa ponte de "moraine"(moraine, são os escombros do glaciar, ou seja, o glaciar se movimenta ao longo dos anos, ele vai arrastando o gelo e trazendo para baixo todas as pedras, formando como pequenos montes de pedras na sua base, estas são as moraines, mas elas são de gelo com muitas pedras soltas entulhadas por cima). A água deste segundo rio, desaparecia no seu curso, pois passava por baixo da moreine, desta forma cruzamos o rio, somente caminhando por cima da moreine.
Uma descida muito inclinada e desafiadora nos levou até o outro lado do Jacksina Glaciar, onde, naquele ponto, não mais surpreendentemente, nos trouxe mais surpresas. Nós desviamos várias milhas para encontrar o cruze de um rápido e perigoso rio no gelo. Com um acampamento não planejado em uma moreine ao longo do caminho. Um outro rio muito maior nos esperava na outra borda final do glaciar, o qual nós cruzamos fazendo um rapel numa alta moreine, onde o rio passava em baixo de um teto de gelo. (desta forma rapelamos no gelo, com o equipo que levavámos somente em caso de resgate, e descemos em uma parte de pedras).
Finalmente livres do Jackisa, sob todas as suas formas (glaciar, rios, moreine), nós saimos do Sul das montanhas mais altas. Com os alunos, naquele ponto já competentes em navegação e manejo de risco, caminhando sem os instrutores. Outros dois cruzes de rios no Tumble Creek (nome do rio), foram nossos maiores ultimos obstáculos.
Nós descemos das montanhas altas rumo ao "Grizzly Lake" (um grande lago, no meio de um vale), onde o piloto nos trouxe a última "re-ration". Depois de um dia de descando e muita pescaria, os alunos partiram para a expedição independente em grupos menores por 4 dias ( no fim do curso, os alunos caminham sem instrutores fazendo uma pequena rota). Caminharam em dois pequenos grupos até o nosso ponto de encontro no "Jack Lake". Lá ficamos o último dia e última noite do curso, aproveitando a hospitalidade de Rudy e Jean Gray, que nós ofereceu limonada e pipoca, nos mostrou sua linda cabana construída pelas próprias mãos (chama cabana, mas é uma casa imensa, linda, toda de madeira) e deu muitas lições de vida á todos nós.
Neste mês no Wranglles, os alunos se tornaram competentes of "Alaskan Mouintain Travel", cuidando uns dos outros e de cada um e vivendo bem em ambiente remoto. Talvez mais importante, eles praticaram tolerância para adversidade e incerteza e viveram o sucesso de conseguir ultrapassar grandes obstáculos, vendo que é possível com paciência, determinação, assim como com bom humor. Finalmente, nós todos aproveitamos a riqueza de viver um mês em excelente companhia, trabalhando juntos para um objetivo e cercados, cada dia, de uma beleza espetacular".
Realmente único.
Alaska significa "Great Land".. e realmente isto fala muito e tudo. Obrigada Great Land pelos dias de tanta luz na minha vida!
beijos!
alunos com o almoço garantido - Grizlzly Lake
eu ensinando uma aluna como rapelar em uma moreine (detalhe: primeira vez ever que eu rapelei em uma moreina, isto não estava nos planos mesmo! rsrsrsrs...)
quando acampamos na moreina, as montanhas do glaciar, lindas!
último dia do curso. Na propriedade de Rudy e Jean, comendo a pipoca que ele levou pra gente e apreciando o por do sol na fogueirinha na beira do lago.
Uma das flores do Alaska que eu mais gosto. Chama Alaskan Cotton - algodão do Alaska. me lembra a fazenda de Vovô.
Nosso grupo durante a travessia do Bare Glaciar - campo de gelo. detalhe de um pequeno rio do lado esquerdo.
alunos no cume do Mount Gordon - 3.000 metros
Jackina river, visto lá de cima! muito feliz por ter conseguido cruzar. Nesta foto não dá para entender a dimensão deste rio.